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Coreia do Norte promete aumentar arsenal nuclear e lançar satélites espiões
A Coreia do Norte, através de seu ditador Kim Jong-un, prometeu lançar três novos satélites espiões, construir drones militares e aumentar seu arsenal nuclear até 2024. Esse anúncio foi feito após cinco dias de reuniões do partido governante e foi divulgado pela mídia estatal neste domingo (31).
Durante o evento, Kim Jong-un fez longas declarações criticando a política dos Estados Unidos e afirmou que a guerra é inevitável. Ele ordenou que o Exército se preparasse para “pacificar todo o território da Coreia do Sul”, inclusive com bombas nucleares, se necessário, em resposta a qualquer ataque. Essas declarações surgem em um momento decisivo, já que tanto a Coreia do Sul quanto os Estados Unidos enfrentarão eleições importantes no próximo ano.
A Coreia do Norte tem sido alvo de novas sanções por parte dos Estados Unidos, e especialistas acreditam que o país pode estar buscando vantagens ao aumentar sua pressão militar antes das eleições presidenciais americanas em novembro. O governo de Joe Biden afirmou estar aberto a negociações, mas impôs novas sanções à Coreia do Norte, que por sua vez continuou com testes de mísseis proibidos pelas Nações Unidas.
O Ministério da Defesa de Seul condenou os planos de Pyongyang de prosseguir com suas ambições nucleares, afirmando que retaliariam de forma avassaladora em caso de ataque com armas nucleares. Além disso, os Estados Unidos aumentaram os exercícios militares com submarinos e porta-aviões perto da península coreana, o que foi duramente criticado por Kim Jong-un, que afirmou que transformou a Coreia do Sul em uma “base militar avançada e arsenal nuclear” dos EUA.
A situação na península coreana é ainda mais delicada devido às eleições legislativas que ocorrerão na Coreia do Sul em abril. O presidente conservador Yoon Suk Yeol adotou uma postura belicista em relação ao regime norte-coreano, tornando as relações entre os dois países ainda mais tensas.
Tanto o partido governista de Yoon quanto a oposição instaram a Coreia do Norte a retornar ao diálogo para negociações de paz, porém, a retórica de Kim Jong-un aponta para um cenário de maior tensão e conflito na região nos próximos anos.