Especialistas avaliam que comportamento dos preços dos alimentos e política monetária ajudaram a controlar a inflação em 2023

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) fechou 2023 em 4,72%, o menor resultado dos últimos três anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por sua vez, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou deflação no ano, marcando uma inflexão em relação aos anos anteriores.
O economista Gilberto Braga, do Ibmec, destaca que a manutenção da Selic em patamares altos teve um papel importante na contenção da inflação. Ele ressalta que, apesar de alguns grupos de preços ainda pressionarem os índices, como os aluguéis, os preços dos alimentos de forma geral vêm caindo, o que compensa positivamente as pressões de aumento.
Para o próximo ano, a tendência é que o comportamento dos preços permaneça, com a inflação tendendo a cair. No entanto, Braga aponta riscos vindos de fora do Brasil, como os conflitos na Rússia e no Oriente Médio, que podem influenciar os preços do petróleo e do comércio internacional.
Outro fator que influenciou a inflação em 2023 foram os preços das commodities agrícolas e minerais. A queda dos preços da soja, milho e trigo contribuiu para a manutenção da inflação controlada. No entanto, o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, aponta que o IGP-M mostra uma tendência de aceleração, o que pode ser um desafio para o próximo ano.
Apesar dos desafios, os especialistas acreditam que a inflação seguirá controlada em 2024, possibilitando mais quedas na taxa básica de juros. A expectativa é que a inflação feche o ano próximo de 4%, ainda dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. No entanto, fatores externos, como os conflitos geopolíticos e o fenômeno climático El Niño, podem representar desafios para o comportamento dos preços no próximo ano.