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Especial de Natal da Brasil Paralelo: emocionante espetáculo religioso ou propaganda comercial disfarçada?





Especial de Natal da Brasil Paralelo: uma experiência esquisita

Por Fulano de Tal, Jornalista

Assistir aos três episódios do especial de Natal do grupo de mídia conservador Brasil Paralelo, disponíveis gratuitamente no YouTube e no serviço de streaming da empresa, é uma experiência esquisita. O programa, comandado pelos apresentadores Luís Ernesto Lacombe e Lara Brenner, reúne convidados que poderiam estar em um especial natalino típico da TV aberta brasileira, em canais como o SBT ou a Record.

Reunidos num teatro em São Paulo, os convidados contam histórias inspiradoras, como o diagnóstico e tratamento do câncer de um filho ainda bebê, ou a adoção de dezenas de crianças e adolescentes por um mesmo casal. Além disso, há interlúdios de música clássica e versos declamados por Clístenes Hafner Fernandes, com a intenção declarada de criar um espetáculo capaz de despertar “sentimentos elevados”, um contraponto à banalização da data.

Além disso, o tom das apresentações é explicitamente cristão e católico, com depoimentos calcados na fé dos participantes e em temas como “a vida como milagre” e “a vida como dom”. Tudo isso é comum em emissoras abertas de orientação confessional.

No entanto, um aspecto peculiar do especial é a propaganda da nova iniciativa da Brasil Paralelo, intitulada Travessia da Família, que visa a auxiliar na educação dos filhos e no relacionamento do casal. Essa iniciativa está disponível por R$ 2.988 à vista, ou 12 parcelas de R$ 249.

Porém, a visão apresentada pela empresa sobre os problemas familiares no Brasil de hoje sugere uma visão de famílias sob cerco, influenciadas por “ideologias”, especialmente a “ideologia de gênero”. No entanto, a abordagem do programa parece limitada ao ponto de vista da direita radical brasileira, ignorando possíveis contradições e pontos cegos em relação ao modelo tradicional e hierárquico de família.

Apesar de oferecer cursos online para lidar com esses problemas familiares, a Brasil Paralelo parece não questionar se o modelo tradicional de família também não é capaz de criar estruturas que favorecem distorções e injustiças. Além disso, a abordagem parece ignorar que a “ideologia de gênero” pode dar voz a pessoas que são incapazes de se encaixar no modelo de família tradicional, mesmo sendo cristãs.


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