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Ex-médico ruandês é condenado a 24 anos de prisão na França
O ex-ginecologista Sosthene Munyemana, de 68 anos, foi condenado a 24 anos de prisão por um tribunal de Paris por seu papel no genocídio da etnia tutsi em Ruanda, seu país natal, em 1994. A sentença foi anunciada na noite de terça-feira (19) —madrugada de quarta no horário local.
O ex-médico foi considerado culpado de genocídio, crimes contra a humanidade e participação em uma conspiração para cometer esses delitos. Ele foi preso imediatamente, e seus advogados informaram que vão recorrer da decisão da justiça francesa.
O promotor do caso havia requerido uma pena de 30 anos de prisão, argumentando que os atos de Munyemana na década de 1990 revelavam “os traços de um verdadeiro genocida”.
O ex-médico foi acusado de assinar uma petição de apoio ao governo interino estabelecido após o ataque ao avião do presidente da etnia hutu Juvenal Habyarimana, episódio que desencadeou uma campanha de ódio racial do governo com a prática de massacres contra os tutsis entre abril e julho de 1994. O genocídio resultou em mais de 800 mil mortes, a maioria tutsis, segundo dados das Nações Unidas.
Munyemana também foi acusado de instalar barreiras e rondas de vigilância em Tumba, no sul de Ruanda, onde pessoas eram detidas antes de serem assassinadas, e de ter em seu poder a chave de um escritório onde os tutsis eram trancados antes de sua execução.
O ex-médico fazia parte de um grupo “que preparou, organizou e dirigiu diariamente o genocídio dos tutsis em Tumba”, declarou o presidente do tribunal ao anunciar o veredicto nesta terça-feira.
Munyemana chegou à França em setembro de 1994, onde sua esposa e três filhos moravam, e trabalhou como médico de emergência e depois como geriatra até sua recente aposentadoria.
Seu processo judicial na França teve início em 1995 após uma denúncia apresentada em Bordeaux, e o caso foi transferido para Paris em 2001. A ordem de prisão foi emitida em 2018. Até o momento, seis homens foram condenados na França por sua participação no genocídio tutsi, com penas que variam de 14 anos de prisão à prisão perpétua.