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Estudo inédito revela baixa representatividade de pessoas pretas e pardas e de mulheres nos secretariados estaduais do Brasil

Um estudo inédito realizado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Gemaa/Uerj), em parceria com a Fundação Lemann e a Imaginable Futures, revelou dados alarmantes sobre a representatividade de pessoas pretas e pardas e mulheres nos cargos de secretariado dos governos estaduais.

De acordo com a pesquisa, apenas 10,5% dos secretários e secretárias dos governos estaduais são pessoas pretas e pardas, enquanto as mulheres ocupam apenas 29,7% desses cargos de alta liderança. A região Nordeste se destaca, apresentando um percentual de secretárias de estado acima da média nacional, com 37,2%. Além disso, o Nordeste e o Norte são as únicas regiões que têm um percentual de pretos e pardos acima da média nacional no secretariado.

A pesquisa revelou que mais da metade dos secretários pretos e pardos (51,6%) estão à frente de pastas sociais, como Assistência Social, Cultura e Esportes. Enquanto isso, as secretárias ocupam a maioria das posições no setor social, com 53,5% atuando nessa área. O coordenador do Gemaa e professor de Ciência Política da Uerj, Luiz Augusto Campos, ressaltou que a presença reduzida de pessoas pretas e pardas no secretariado implica um déficit democrático, já que as políticas públicas estaduais impactam significativamente a população preta e parda, mas são pensadas e geridas em sua maioria por indivíduos brancos e homens.

O diretor de Conhecimento, Dados e Pesquisa da Fundação Lemann, Daniel de Bonis, destacou a falta de dados nessa área, assim como a necessidade de diversidade e inclusão nos espaços de poder. Ele enfatizou que o Brasil está muito atrás em termos internacionais em relação à diversidade e inclusão, o que é crucial para uma democratização plena desses espaços.

Para realizar a pesquisa, foi feito o mapeamento de 572 secretários e secretárias estaduais nas 27 Unidades da Federação, classificando as pastas por campo de atuação – social, econômica, infraestrutura ou órgãos centrais. Em resumo, os resultados do estudo revelam uma urgente necessidade de maior representatividade de pessoas pretas e pardas e mulheres nos cargos de alta liderança nos governos estaduais.

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