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Prefeito de Glicério enfrenta investigação por intolerância religiosa após publicação polêmica nas redes sociais.




O prefeito Ildo de Souza, Ildo Gaúcho (PSDB), está enfrentando uma comissão especial de inquérito na Câmara de Glicério, no interior de São Paulo, após a publicação de um texto intitulado “macumbeiros que têm pacto com o diabo” no último domingo, 10. A investigação busca determinar se o chefe do Executivo municipal cometeu o crime de intolerância religiosa. O caso gerou repercussão na cidade, que conta com pouco mais de 4 mil habitantes e fica a 443km da capital.

O prefeito Ildo Gaúcho é conhecido também por ser a cidade natal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e sua publicação gerou polêmica e pressão durante a semana. Em resposta, Ildo Gaúcho apagou a publicação e divulgou uma nota de esclarecimento, afirmando que não teve a intenção de causar conflitos religiosos. Ele defendeu que a diversidade de crenças e a liberdade para professar cada uma delas são fundamentais em uma sociedade justa e plural.

Na postagem original, Ildo Gaúcho fez ofensas aos praticantes de religiões de matriz africana, incluindo comentários como “vagabundos do diabo” e “vocês são vazios de Deus no coração porque quem habita na sua casa e na sua vida é o diabo, o capeta (sic)”. Ele também declarou que nunca viu “macumbeiro fazer o bem”. Agora, os vereadores têm 90 dias para apurar se o prefeito cometeu crime de intolerância religiosa.

Porém, a comissão especial de inquérito não tem poder para cassar o mandato do prefeito, de acordo com o Regimento Interno do Legislativo municipal. Somente uma comissão processante poderia resultar na perda do mandato de Ildo Gaúcho. Além disso, a polícia abriu um inquérito para investigar a postagem do prefeito, além de ter sido aberto um boletim de ocorrência contra ele. Segundo o código penal brasileiro, o crime de intolerância religiosa tem pena de detenção de um mês a um ano, além do pagamento de multa.

O Centro Cultural Obadará Africanidade de Araçatuba, cidade a 35km de Glicério, divulgou uma nota de repúdio à postagem do prefeito. O grupo, que se dedica à preservação da cultura de povos tradicionais, afirmou que a postagem de Ildo Gaúcho foi “perversa e nefasta” e que não pode ser desculpa para disseminar a desinformação, o preconceito, o ódio, o racismo e a intolerância às religiões de matrizes africanas. Em sua publicação de esclarecimento, o prefeito destacou que sua intenção era destacar a manipulação das crenças legítimas por pessoas contrárias ao seu posicionamento político.


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