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Lobistas da Fiat dentro do plenário: jogo baixo na disputa por prorrogação de incentivos fiscais para montadoras.




Notícia: Conflito entre montadoras no Congresso

Conflito entre montadoras no Congresso

A informação que acabo de receber é que, neste momento, lobistas da Fiat estão dentro do plenário. Isso é proibido e jogo baixíssimo!”, dizia a mensagem enviada às 11h da manhã desta sexta (15).

O disparo foi feito pela assessoria de imprensa que representa as montadoras contrárias à prorrogação até 2032 das isenções fiscais a quem produz nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

É notável o conflito de interesses que marcou a votação da prorrogação das isenções fiscais para as empresas que produzem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Naquele instante, os representantes das empresas beneficiadas tentavam garantir a inclusão na reforma tributária dos incentivos para produção de carros flex (motor a combustão), medida que beneficiaria principalmente o grupo Stellantis.

Os concorrentes GM, Toyota e Volkswagen defendiam que a extensão deveria contemplar apenas os modelos híbridos ou 100% elétricos.

No fim, prevaleceu a tese defendida pelo grupo Stellantis: os custos logísticos e a necessidade de desenvolvimento regional justificariam a manutenção dos incentivos mesmo para automóveis dotados somente de motores térmicos. Do outro lado, as empresas instaladas no Sul e Sudeste alertavam para a perda de investimentos caso a desvantagem competitiva fosse mantida.

A Volkswagen prepara o lançamento de uma nova picape compacta com cabine dupla, além de já ter negociado a prorrogação até 2028 dos acordos coletivos com sindicatos em São Bernardo do Campo, Taubaté e São Carlos, no estado de São Paulo, e em São José dos Pinhais, no Paraná.

Em agosto, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC afirmou que a empresa vai adicionar cerca de R$ 5 bilhões ao seu plano de investimentos, valor que será usado na montagem e no desenvolvimento de veículos híbridos. A Toyota também deve manter os R$ 1,7 bilhão anunciados em abril. A marca vai produzir em Sorocaba (interior de São Paulo) um SUV compacto movido a gasolina, etanol e eletricidade.

Entretanto, apesar de também ter acesso a alguns benefícios, as montadoras instaladas no Sul e no Sudeste afirmam que o pacote que favorece a Stellantis é exagerado.

Mas se a agenda ambiental tivesse prevalecido, a fabricante das marcas Fiat e Jeep teria saído em desvantagem na discussão. Trata-se da picape RAM Rampage, produzida em Goiana (PE), custa a partir de R$ 244,8 mil e, certamente, é um dos veículos mais rentáveis do mercado nacional.

Para driblar críticas sobre sua estratégia no Brasil e ter êxito na campanha pró-incentivos, a Stellantis recorreu a uma agência de publicidade para contar seu lado da história.

Foram movimentos como esse –além das intervenções durante a votação da Reforma Tributária no Congresso– que fizeram as concorrentes acusarem o grupo de fazer “jogo sujo”. O presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, é vice-presidente sênior de relações institucionais e jurídico da Stellantis na América do Sul.

Os ânimos podem ser acalmados nesta semana, quando o programa que substitui o Rota 2030 deverá ser, enfim, conhecido. Chamado Mover, o novo conjunto de regras para o setor automotivo deve conceder benefícios fiscais a quem nacionalizar componentes e veículos menos agressivos ao meio ambiente –sem limitações regionais.


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