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Política de exclusão de autores masculinos pela Fuvest gera polêmica sobre luta contra o machismo na literatura.







Artigo sobre a exclusão de autores masculinos da prova de literatura da Fuvest

Com frequência, nos deparamos com a famosa frase “de boas intenções o inferno está cheio”. No entanto, uma visão diferente dessa máxima tem surgido diante de algumas ações recentes da esquerda, as quais têm gerado grandes efeitos colaterais. A luta contra a burrice bem-intencionada parece ser mais desafiadora do que enfrentar um imbecil que simplesmente quer “passar a boiada”. A boa intenção por trás de algumas decisões pode causar danos significativos, muitas vezes protegida pela ideia de virtude.

É nesse contexto que a resolução da Fuvest de excluir autores masculinos da prova de literatura em suas próximas edições surge como um exemplo. Embora originada da nobre intenção de combater o machismo, críticas a essa decisão são imediatamente rotuladas como machistas. No entanto, é preciso considerar que privar adolescentes da leitura de grandes escritores como Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa não contribuirá de forma eficaz para a luta contra o machismo.

A história da humanidade é marcada pela predominância masculina, onde as mulheres foram oprimidas e silenciadas durante muitos séculos. A estrutura patriarcal impediu que elas tivessem acesso à educação, à expressão de suas ideias e à publicação de seus trabalhos. Nesse contexto, o cânone ocidental é majoritariamente composto por obras masculinas, em virtude da supremacia masculina que permeou a sociedade ao longo dos anos.

Embora seja fundamental incluir mais vozes femininas, negras e de outras “minorias” no debate literário e científico, a exclusão de autores masculinos não é a solução. Reduzir o acesso ao conhecimento calando vozes que contribuíram para a construção desse conhecimento é um contrassenso. Ignorar o legado deixado por homens como Newton, Einstein e outros, simplesmente por sua identidade de gênero, orientação sexual ou etnia, não altera a importância de suas contribuições para a humanidade.

As ações afirmativas são importantes para garantir igualdade de oportunidades e incluir vozes historicamente silenciadas. No entanto, é preciso ter em mente que a luta pela diversidade e inclusão não deve ser realizada às custas da exclusão de outros grupos. O caminho para uma sociedade mais justa e igualitária passa pela valorização de todas as vozes, sem negar a contribuição daqueles que, por muito tempo, tiveram o privilégio de terem suas vozes ouvidas.

A ação afirmativa é um grande legado das lutas pelos direitos civis, dos Estados Unidos ao mundo. É urgente dar a qualquer pessoa a oportunidade de usufruir de todo o conhecimento produzido pela humanidade. É urgente incluir nesse conhecimento todas as vozes que até então tenham sido caladas. Mas é bizarro reduzir esse conhecimento calando vozes que o produziram. É a anti-cota. O burrismo institucional. O fato de Newton ser um homem branco, hétero e cis não muda em nada a lei da gravidade. A fundamental luta decolonial não fará com que as maçãs caiam pra cima.


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