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A vida secreta de Thomas Mann: Colm Tóibín revela os fantasmas e ambiguidades do renomado autor alemão em seu novo livro “O Mágico”






Artigo sobre o escritor irlandês Colm Tóibín

O escritor Colm Tóibín e suas experiências ao criar “O Mágico”

O reconhecido escritor irlandês Colm Tóibín revela suas experiências enquanto pesquisava sobre a vida do alemão Thomas Mann, um dos maiores nomes da literatura, para seu livro “O Mágico”. Tóibín, apesar de não acreditar em fantasmas, afirma ter tido sensações sobrenaturais durante sua pesquisa.

Durante sua passagem por Paraty, afirma ter sentido a presença de Júlia, a mãe brasileira de Mann, ao perceber o aroma das frutas tropicais. Em Lübeck, sua percepção sobre as primeiras inclinações homossexuais do escritor foi aguçada ao visitar pensões. Já em Munique, o escritor acredita ter ouvido ecos dos saraus literários organizados pela mãe de Mann.

O resultado das pesquisas e da leitura de três biografias sobre Thomas Mann resultou em uma visão complexa do artista. Tóibín se fascinou com a distância entre a figura pública e o homem privado que Mann revelou em seus diários, onde confessou seus amores proibidos. Tóibín é autor de outros trabalhos que exploram a vida de escritores, como “Brooklyn” e a biografia ficcional de Henry James em “O Mestre”.

No livro “O Mágico”, Tóibín expõe a vida de Mann, costurando fatos verdadeiros com elementos ficcionais, aproveitando as lacunas deixadas pelo próprio escritor. A vida pessoal tumultuada de Mann, filho de uma mãe brasileira e de um pai alemão, é explorada em detalhes, assim como suas inclinações homossexuais.

Tóibín acredita que Mann reprimiu sua sexualidade, mantendo diários e escrevendo histórias homoeróticas cujos sinais de suas inclinações foram observados apenas por seus olhos.

Releitura de “Morte em Veneza”

Tóibín argumenta que a obra “Morte em Veneza”, lançada em 1912, escrita por Mann, seria vista de forma diferente nos dias de hoje. O romance explora a obsessão de um homem mais velho por um jovem de beleza impressionante, algo que, segundo Tóibín, hoje seria visto como inaceitável.

Tóibín sugere que Mann, ao escrever a obra, tentou transformar o jovem em uma figura simbólica e representativa da beleza. No entanto, a leitura contemporânea revela um homem mais velho admirando um adolescente com luxúria, o que não condiz com os valores atuais. Ele sugere que Mann utilizou a literatura como meio de expressar sua própria homossexualidade, mas de maneira encoberta, o que o colocou ainda mais em um estado de ocultação.

Mann como um autor fantasma de sua própria vida

Tóibín destaca que Mann utilizava a literatura como um refúgio seguro, especialmente durante os períodos tumultuados de sua vida. Ele era um fantasma em sua própria vida, exceto quando estava no escritório. Por isso, Tóibín acredita que a obra de Mann continua sólida, refletindo as complexidades e segredos do autor.


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