Ministro da Educação cogita proibir cursos de licenciatura 100% na modalidade EaD e planeja reestruturação na formação de professores.
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O ministro expressou sua preocupação com a formação dos professores brasileiros após a apresentação dos resultados obtidos pelo Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2022. O levantamento mostrou que menos de 50% dos alunos sabem o básico em matemática e ciências.
O Brasil caiu 5% em matemática em relação ao Pisa de 2018, e ficou no intervalo entre a 62ª e 68ª posição no ranking da OCDE. Em relação à matemática, 73% dos estudantes brasileiros avaliados nesta faixa etária apresentaram desempenho no nível abaixo do básico. O ministro reforçou que melhorar a educação em matemática é um grande desafio, e que é necessário focar no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, com a política do Ministério da Educação estando voltada ao compromisso de ter as crianças alfabetizadas na idade certa.
O ministro também destacou o papel da gestão da educação pelos estados e municípios brasileiros, afirmando que não acredita em nenhuma ação de melhoria da qualidade da educação básica se não houver a participação, o compromisso e a contribuição na construção dessa política desses entes da federação.
Camilo Santana também confirmou que o ministério tem discutido com o Conselho Nacional de Educação (CNE) alterações na formação continuada dos docentes e outras mudanças nas diretrizes curriculares nacionais dos cursos de licenciatura. Ele adiantou que o Enade passará a ser avaliado anualmente, ao invés de trianualmente, em relação à licenciatura, e contará com uma avaliação dos estágios supervisionados dos estudantes matriculados em cursos de licenciatura.
Além disso, o ministro planeja que a próxima edição do Pisa, em 2025, avalie o desempenho educacional em cada estado do Brasil e não somente nas cinco regiões do país, como ocorreu na edição de 2022, para possibilitar a adoção de estratégias mais pontuais para melhoria da área, em cada unidade da federação e, assim, reduzir desigualdades regionais.