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Supremo Tribunal Federal inicia julgamento de ação sobre violação de direitos da população negra em sessão plenária.

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a tarde desta quarta-feira (22) o início do julgamento de uma ação sobre a violação sistemática de direitos da população negra. A escolha do tema para a pauta da sessão plenária aconteceu próxima ao Dia da Consciência Negra, comemorado na última segunda-feira (20).

Representantes dos movimentos sociais responsáveis pela ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) sobre o assunto estiveram com o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, no início do mês. Eles pediram que o processo seja denominado “ADPF pelas vidas negras”.

A sessão desta quarta-feira deve ser dedicada às sustentações orais das partes, incluindo representantes da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Contudo, não está previsto o início da votação, que deverá ocorrer em data ainda a ser definida.

Na petição inicial, a Coalizão Negra por Direitos pede que seja declarado um “estado de coisas inconstitucional” no país, diante da violação sistemática dos direitos dos negros e negras à vida, alimentação, saúde e segurança.

Ao declarar o “estado de coisas inconstitucional”, o Supremo reconhece a violação em larga escala de direitos fundamentais previstos na Constituição. Em geral, os ministros determinam ao Executivo a implementação de planos na busca de solucionar o problema. A decisão de julgamento pode envolver ainda ordens para que o Legislativo tome providências.

A Coalizão Negra por Direitos reúne mais de 250 organizações, coletivos e entidades do movimento negro e antirracista. Para abertura da ação, contou com o apoio de sete partidos – PT, PSB, PCdoB, Psol, PDT, PV e Rede Sustentabilidade.

Os autores da ação argumentam que há no Brasil uma política sistemática e centenária voltada ao extermínio da população negra. Os argumentos foram divididos em três blocos principais, ligados à violação dos direitos à vida, à saúde e a uma alimentação digna.

Em relação à vida, a ação traz dados do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea), segundo os quais a população negra representou 77% das vítimas de homicídios em 2019, com uma taxa de homicídios de 29,2 por 100 mil habitantes. Isso significa que a chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes maior que a de uma pessoa não negra.

Em relação à saúde, são exibidos dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segundo os quais as negras são mais propensas a ter um pré-natal inadequado, recebem menos orientações sobre complicações no parto, têm mais chances de não ter um acompanhante e recebem menos anestesia durante o corte no períneo.

No que concerne à alimentação digna, sua violação está demonstrada em dados que informam maior incidência de insegurança alimentar entre a população negra. O texto traz dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o aumento da segurança alimentar no país nos últimos anos.

Neste contexto, a expectativa é de que a sessão plenária do STF nesta quarta-feira inicie um debate urgente e crucial sobre a violação dos direitos da população negra, trazendo à tona dados alarmantes sobre a disparidade vivida por essa parcela da sociedade. As sustentações orais e os argumentos apresentados pelas partes prometem trazer à tona questões essenciais para o enfrentamento desse grave problema.

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