
O futuro presidente da Argentina, Javier Milei, tem gerado grandes expectativas e incertezas em relação ao país e ao Mercosul, especialmente no que diz respeito ao acordo com a União Europeia. Em uma entrevista exclusiva, um renomado professor argentino, cujo nome preferiu não ser revelado, expôs algumas teorias e análises acerca das possíveis interferências de Milei no tratado em questão.
De acordo com o professor, Milei poderia atuar de maneira a impedir o acordo, levando em consideração seu perfil e suas atitudes que geram repúdio. No entanto, também é possível que, por se tratar apenas de um personagem público, ele acabe permitindo o acordo como forma de facilitar o acesso da Argentina à União Europeia, que representaria um mercado mais aberto em comparação com as cotas limitadas atualmente em vigor.
Por outro lado, o especialista Andrés Malamud avalia que, mesmo sem atritos diplomáticos significativos, o acordo continuará emperrado devido ao protecionismo europeu. Malamud afirma que tanto o ex-presidente Lula quanto Milei não conseguiram e não conseguirão facilitar o tratado, atribuindo a culpa principal à Europa e à França, que mantém uma postura protecionista em relação ao comércio exterior.
O que esperar do Mercosul?
Além das incertezas em relação ao acordo com os europeus, surgem questionamentos sobre o futuro do próprio Mercosul, após as declarações de Milei sobre a possibilidade de retirada da Argentina e a eliminação do bloco. O pesquisador da Universidade de Lisboa aponta que, embora sair do Mercosul seja uma opção complexa e custosa para a Argentina, as declarações impactantes de Milei podem ser estratégicas para negociar a abertura do bloco, que é considerado um dos mais fechados do mundo.
Outro ponto destacado é a pressão por uma maior abertura da aliança regional, permitindo que países do Mercosul negociem acordos bilaterais com outras nações, fora do bloco. Nesse sentido, o novo presidente argentino tende a defender políticas de livre-comércio, alinhadas com suas ideias libertárias e anarcocapitalistas.
Em relação à postura de Milei, o professor da Neoma Business School ressalta que, embora as declarações possam refletir suas convicções pessoais, a realidade política e legislativa em que ele estará inserido pode limitar sua capacidade de implementar mudanças significativas no âmbito do Mercosul.