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Após uma performance dominante nos “playoffs” do último campeonato, impulsionada pelo desempenho excepcional de Nikola Jokic, vários times se mexeram na tentativa de fazer frente ao atual campeão. Foi agitado o mercado de verão, com movimentos agressivos de algumas das equipes que se colocam como desafiantes.
Na transação de maior repercussão, o Milwaukee Bucks adquiriu Damian Lillard, uma das grandes forças ofensivas do esporte. O armador avisou que chegara ao fim seu tempo no Portland Trail Blazers e pediu para ser negociado. Seu desejo declarado era atuar no Miami Heat, o que não impediu os Bucks de agir.
Pressionada pelo astro Giannis Antetokounmpo, a direção do Milwaukee foi atrás do craque de 33 anos – incluído na lista elaborada pela NBA dos 75 melhores jogadores de seus primeiros 75 anos. E, para levá-lo, não precisou abrir mão de Khris Middleton nem de Brook Lopez.
Saiu apenas o armador Jrue Holiday, excelente defensor, e o Boston Celtics não perdeu tempo para juntá-lo a Jayson Tatum e Jaylen Brown. O time de Massachusetts ainda negociou a chegada do grandalhão Kristaps Porzingis.
Do outro lado da liga, a Conferência Oeste, onde reina o Denver, a agremiação mais agressiva no mercado foi o Phoenix Suns, que já tinha unido Kevin Durant a Devin Booker na parte final da última temporada. Agora, chegou o prolífico pontuador Bradley Neal, e a promessa é de um ataque potente.
Já o Golden State Warriors apostou na experiência de Chris Paul, 38, craque ainda em busca de seu primeiro troféu, agora companheiro de Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green. Inteligência não falta ao veterano elenco, embora a média de idade das quatro peças-chave (quase 35 anos) seja uma preocupação.
Outras equipes jogaram as fichas no crescimento interno, como os jovens Sacramento Kings e New Orleans Pelicans. O Los Angeles Clippers, que ainda trabalha em uma troca que lhe daria James Harden, a torcida é para que os veteranos Kawhi Leonard e Paul George estejam enfim saudáveis e disponíveis ao mesmo tempo.
No caso do Los Angeles Lakers, que foi à final do Oeste contra os Nuggets em maio, a ideia foi dar continuidade a um grupo que tomou forma na parte derradeira do último torneio. LeBron James, 38, vai para sua 21ª temporada, contando com a ajuda do já não garoto Anthony Davis, 30, e de jovens talentosos, caso de Austin Reaves, 25, e Rui Hachimura, 25.
Cada time, à sua maneira, agiu para conter o Denver, que teve caminhada de poucos problemas até o troféu de 2022/2023. Nos mata-matas com Jamal Murray como ótimo assistente de Jokic, foram 16 vitórias e quatro derrotas.
A equipe, é verdade, perdeu um coadjuvante de impacto, Bruce Brown, que não pôde ser mantido por causa dos limites salariais estabelecidos pela liga. Ainda assim, a formação do Colorado, mais bem estabelecida do que os rivais em construção, dá o tapinha inicial da competição carregando favoritismo.
“Nós conversamos sobre alcançar algo que ninguém consegue desde o Golden State Warriors [em 2017 e 2018]: ganhar títulos consecutivos. Como fazemos isso? Trabalhando, não pulando etapas. Temos que perceber que o último ano acabou e não podemos viver no passado”, afirmou o técnico Michael Malone, em entrevista ao lado da taça.
Antes de alguém erguer novamente o tradicional troféu Larry O’Brien, haverá outro em disputa. A NBA estabeleceu um minitorneio, a NBA Cup, a ser realizado dentro da temporada regular, entre novembro e dezembro.
As equipes foram divididas em seis grupos, cujos confrontos valem também para a tabela de classificação geral. Os vencedores de cada chave e os segundos colocados com melhor aproveitamento até ali em todo o campeonato vão às quartas de final. A decisão será em Las Vegas, com prêmio em dinheiro para os atletas vencedores.
A direção da liga espera que isso movimente a primeira fase do campeonato, muitas vezes cansativa, com 82 partidas para cada agremiação. O bordão “é uma maratona, não uma prova de velocidade” tem sido usado para os treinadores pouparem com frequência as estrelas.
A partir de agora, há regras que limitam o descanso de jogadores que não estão machucados. Também foi estabelecida uma punição mais rígida ao defensor pego simulando uma falta de ataque, atirando-se ao chão.
Mas, independentemente das novas regras e do troféu de dezembro, levantar a taça em junho é o que importa. Para isso, ao menos na visão de 29 times, quem precisa estar no chão é Nikola Jokic.