Famílias brasileiras são repatriadas de Israel em meio a ataques do Hamas
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Entre os passageiros estava Nathália Waksman, uma analista de dados que passou quase sete anos vivendo em Jerusalém e decidiu retornar ao Brasil por conta da intensa e tensa situação enfrentada nos últimos dias. Nathália, que é mãe de dois filhos israelenses, relatou que teve que lidar com os alarmes estridentes que alertavam sobre o disparo de foguetes feitos pelo grupo extremista Hamas. Para o filho Uriel, de 2 anos, as sirenes eram simplesmente de uma ambulância passando, enquanto o “bunker” era um lugar diferente onde ele estava indo brincar.
No entanto, a realidade era bem diferente. Nathália teve que levar seus filhos diversas vezes para um “bunker”, que é um quarto de segurança presente em muitos prédios e residências israelenses. Ela relata que não tinha um quarto de segurança em sua casa e que o bunker ficava no subsolo do prédio, o que significava descer cinco andares de escada toda vez que as sirenes tocavam. Ela descreve a sensação de insegurança como algo que nunca havia experimentado antes em Israel.
Os ataques iniciados pelo Hamas no último sábado (7) desencadearam respostas de Israel, resultando na morte de milhares de israelenses e palestinos desde então. Nathália conta que teve que explicar ao filho mais velho, Benjamim, o que estava acontecendo, enfatizando a importância de se proteger durante o som das sirenes.
Ao chegar ao Brasil, Nathália sentiu um alívio, principalmente por seus filhos, mas lamenta ter que deixar Israel, um lugar que fazia sentido para ela como judia pelas questões religiosas e culturais. Ela ressalta que só voltou por causa dos filhos e menciona que, caso estivesse sozinha, talvez tivesse ficado para apoiar o país e os soldados que estão lutando.
Outra passageira, a fotógrafa Luíza Santos, chegou ao Brasil grávida junto com seu marido, um engenheiro israelense. Ela relata ter ficado com muito medo diante dos acontecimentos recentes e sente-se nervosa ao deixar todas as suas coisas em Israel. Luíza agradece ao governo brasileiro pela acolhida e transporte. Além disso, a operação trouxe oito animais de estimação, incluindo os dois cachorros de Luíza, pois ela não poderia deixá-los para trás.
Já a pesquisadora Priscila Grimberg, que deixou o aeroporto acompanhada de sua filha Maia, de 15 anos, sente uma lacuna ao saber que sua outra filha, Miriam, decidiu ficar em Israel para servir como combatente no exército israelense. Priscila, que se sente dividida entre o olhar particular e o coletivo, deseja ter suas duas filhas consigo, mas também compreende a decisão de Miriam.
A Operação Voltando em Paz repatriou um total de 701 brasileiros desde quarta-feira, em uma ação organizada pelo Ministério das Relações Exteriores e pela FAB. A chegada desses repatriados representa um momento de alívio, mas também de incertezas sobre o futuro e o que acontecerá em Israel.