
O perigo de basear investimentos em análises retrospectivas
Quando avaliamos os últimos 12 meses, o CDI parece a opção mais confortável para se investir. Entretanto, tudo o que se apresenta como mais confortável, usualmente, não tem mais qualquer prêmio a se capturar. Decidir os investimentos, baseando-se em análise retrospectiva recente é um comportamento comum entre os investidores, mas ele carrega consigo uma armadilha perigosa.
O CDI é geralmente considerado uma opção segura para investir, especialmente quando os juros estão em queda, como ocorre atualmente. Em janeiro de 2017, a taxa Selic havia acabado de iniciar o ciclo de queda de juros, e o retorno acumulado dos últimos 12 meses do CDI era um dos mais altos dos últimos 10 anos, atingindo 14,0% ao ano. Diante de um retorno elevado no passado, muitos investidores optaram por ficar no CDI, especialmente quando comparado ao retorno acumulado do IMAB-5, que é referenciado ao IPCA.
No entanto, é importante destacar uma coincidência interessante: o Banco Central americano (FED) também estava passando por um processo de alta de taxas de juros naquele momento, estendendo-se até dezembro de 2018. Essa situação guarda alguma semelhança com o momento atual, onde a taxa Selic está em 12,75% ao ano, o CDI acumulado em 12 meses está em 13,4% ao ano, e o IPCA acumulado em 12 meses está em 5,2% ao ano.
Olhando para a tabela que compara os dois momentos, percebemos que em janeiro de 2018 o IMAB-5 rendeu 12,77% nos 12 meses anteriores, enquanto o CDI rendeu 9,38%, resultando em um rendimento do IMAB-5 que foi 136% do CDI. Já em janeiro de 2019, o IMAB-5 rendeu 24,15% nos 24 meses anteriores, enquanto o CDI rendeu 16,36%, resultando em um rendimento do IMAB-5 que foi 148% do CDI.
Isso mostra que, naquele momento em janeiro de 2017, quem optou por sair da zona de conforto do CDI e investir em títulos de crédito privado isentos de IR foi premiado. E considerando que a diferença entre a taxa Selic Meta e a taxa do FED Fund é de apenas 4%, é possível especular que a Selic pode encerrar 2024 em 9% e continuar a queda em 2025, assim como ocorreu em 2017 e 2018.
Portanto, é importante ter cuidado com o conforto do CDI neste momento, pois basear os investimentos em análises retrospectivas pode ser uma armadilha. Aproveite para diversificar sua carteira e considerar outras opções de investimentos, como títulos de crédito privado isentos de IR, que podem capturar prêmios e aproveitar a queda da Selic. Assim, evite ser como o sapo cozinhando lentamente na panela.
Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.
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