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Polícia Federal investiga participação de militares do Exército em ataques aos Poderes; celular de general é chave no caso

A Polícia Federal está investigando os ataques às sedes dos três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro, e busca identificar pessoas que aparecem com balaclavas durante as ações. Uma das linhas de investigação é a possível participação de integrantes do Exército, e os registros no celular do general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes podem ajudar a avançar nessa investigação.

Há suspeitas de que membros das forças especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”, tenham orientado os vândalos durante as invasões e depredações dos prédios públicos. Presos que participaram das invasões relataram terem recebido instruções sobre como agir durante os ataques, reforçando essa suspeita.

Além disso, os investigadores constataram através de imagens que houve uma ação sofisticada em certos momentos dos ataques, como o uso de gradis presos uns aos outros para formar uma escada improvisada para entrada e saída de manifestantes pelo teto do Congresso Nacional. A polícia avalia que os nós nas cordas utilizadas para fixar os gradis dificilmente teriam sido feitos por pessoas sem experiência.

Com base em imagens e depoimentos, os investigadores suspeitam que as pessoas de balaclava estavam orientando os demais manifestantes a entrarem pelo gradeado do Congresso. A Polícia Federal espera avançar nas investigações sobre os “kids pretos” através da identificação desses personagens e dos registros presentes no celular do general Ridauto.

Na última sexta-feira (29), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o general da reserva, que é suspeito de ter participado da organização dos ataques. Ridauto foi ouvido em depoimento e teve seu celular, arma e passaporte apreendidos. A diligência faz parte da operação Lesa Pátria, e o STF determinou o bloqueio de ativos e valores do general.

Os investigadores destacam que antes mesmo dos eventos, Ridauto concedeu entrevistas para podcasts em que explicava que as forças especiais são especializadas em promover guerras irregulares, utilizando civis sem experiência em combate para auxiliar em conflitos. Isso reforça a suspeita de envolvimento dos militares das forças especiais nos ataques.

Outro fator que levantou suspeitas foi o uso de granadas “bailarinas” durante os ataques, que foram encontradas no Senado. As polícias legislativas do Congresso e a Polícia Militar do Distrito Federal não utilizam esse tipo de explosivo, mas é utilizado pelo Exército em treinamentos das forças especiais.

Ridauto ocupou o cargo de diretor de Logística do Ministério da Saúde durante as gestões de Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga, no governo Jair Bolsonaro. Durante os ataques, ele fez vídeos e os enviou para amigos e familiares, expressando sua surpresa com a situação.

É evidente que a Polícia Federal está empenhada em elucidar os ataques e identificar possíveis envolvidos. As investigações continuam, e espera-se que mais detalhes sejam revelados nos próximos dias.

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