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Chefe do Sudão dissolve grupo paramilitar em meio a conflito armado com centenas de mortos e milhares de refugiados

O Sudão continua enfrentando uma crise humanitária devido ao conflito armado que ocorre no país há vários meses. Nesta quarta-feira (6), o chefe do Conselho Soberano do Sudão, general Abdel Fattah al-Burhan, assinou um decreto que dissolve as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar liderado por Mohamed Hamdan Dagal, conhecido como Hemedti. A disputa entre Burhan e Hemedti pelo controle do país resultou em centenas de mortes entre combatentes e civis, além de 380 mil refugiados no vizinho Chade, segundo a ONU.

As RSF reivindicam o controle de pontos estratégicos no Sudão, incluindo a capital, Cartum, e cidades na região política central do país, como Bahri e Omdurman. A população está no meio de fogo cruzado, sujeita a ataques frequentes e atrocidades. As tentativas de diálogo e de implementação de cessar-fogo mediadas pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita têm fracassado.

No último ataque, ocorrido nesta quarta-feira, pelo menos 32 civis foram mortos em Omdurman. Grupos de ativistas afirmam que foi o dia mais violento do conflito até agora, com relatos de mais 19 mortes no domingo. Martin Griffiths, coordenador de ajuda humanitária da ONU, ressaltou que os civis estão sendo alvo de prisões, estupros e assassinatos, o que é ilegal e ultrajante.

Os Estados Unidos impuseram sanções ao comando das RSF, afirmando que a força comete violações de direitos humanos em larga escala durante o conflito. O líder Hemedti Dagalo, seu irmão e vice-comandante Abdelrahim Dagalo e o chefe da organização em Darfur Ocidental, Abdul Rahman Juma, tiveram seus recursos nos EUA bloqueados. A embaixadora americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield, visitou um hospital improvisado na fronteira entre o Chade e o Sudão e anunciou que os EUA doariam mais US$ 163 milhões em ajuda humanitária, totalizando US$ 710 milhões. Ela pediu que outros países contribuíssem com mais recursos.

A ONU relata que metade dos 49 milhões de habitantes do Sudão precisa de auxílio básico e faz um apelo para que se alcance a meta de US$ 2,6 bilhões. Até agora, apenas 26% desse valor foi arrecadado. A embaixadora Thomas-Greenfield enfatizou a urgência da situação, comparando-a aos acontecimentos de 2004 em Darfur, que levaram ao genocídio. O ex-ditador Omar al-Bashir, ainda foragido, foi derrubado pelas Forças Armadas em 2019 após meses de protestos exigindo o fim do regime. Bashir, que assumiu o poder em 1989 por meio de um golpe de Estado, é alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes cometidos em Darfur.

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