Agência BrasilDestaque

O Ministério Público de São Paulo investiga a legalidade da Operação Escudo enquanto entidades solicitam o encerramento imediato da ação.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) divulgou, nesta sexta-feira (1º), na Defensoria Pública da União (DPU) em São Paulo, um relatório preliminar sobre a Operação Escudo, que está sendo realizada na Baixada Santista. O relatório traz informações perturbadoras sobre violações dos direitos humanos cometidas pelos agentes policiais, que vão desde execuções até invasões ilegais de residências.

O relatório, que foi baseado em 11 relatos coletados pelo CNDH durante sua visita ao Guarujá e Santos em 14 de agosto, confirma as denúncias de abusos cometidos pela polícia. Essas denúncias têm sido alvo de críticas por parte de entidades e movimentos sociais que exigem uma investigação imediata e responsabilização dos agentes envolvidos.

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) compareceu ao evento de apresentação do relatório e anunciou que irá propor, na próxima segunda-feira (4), a convocação do governador Tarcísio de Freitas e do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, para prestar esclarecimentos sobre a operação perante a Assembleia Legislativa.

No entanto, o secretário Derrite cancelou uma reunião marcada com o CNDH sem fornecer nenhuma explicação, o que levanta questionamentos sobre sua intenção de esclarecer os fatos e lidar com as denúncias de abuso policial.

O promotor Danilo Pugliesi, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que cada uma das mortes durante a operação deve ser investigada separadamente, a fim de garantir que as testemunhas possam depor de forma segura e sem medo de retaliação. Ele também ressaltou a importância do acompanhamento das investigações pelo Ministério Público para garantir a apuração adequada dos crimes.

A sede da DPU foi palco de testemunhos chocantes de moradores da região que presenciaram as agressões cometidas pela polícia durante a Operação Escudo. Eles denunciaram que a maioria das vítimas é negra e que a polícia tem intensificado sua ação nas comunidades, muitas vezes recorrendo à tortura.

Uma reportagem da GloboNews revelou que a bala que matou o policial Patrick Bastos Reis, da Rota, era de uso exclusivo das forças de segurança pública, o que levanta suspeitas de retaliação contra as comunidades periféricas.

A Anistia Internacional Brasil exigiu uma investigação imediata e paralisação da operação, além de um esclarecimento sobre as mortes, detenções e denúncias de tortura. A Secretaria da Segurança Pública alega que as mortes foram resultado de confrontos entre as vítimas e a polícia, mas até o momento não houve denúncia formal de abuso durante a operação.

É fundamental que essas denúncias sejam levadas a sério e que uma investigação completa e imparcial seja conduzida para garantir justiça às vítimas e evitar qualquer abuso de poder por parte das autoridades policiais. A sociedade brasileira não pode permitir que violações dos direitos humanos se tornem rotina.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo