Mauro Cid, em depoimento à CPI da Câmara Distrital, opta pelo silêncio e não faz declarações.

Cid se apresentou fardado, utilizando o uniforme do Exército e exibindo todas suas condecorações, da mesma forma como fez em julho, quando depôs à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Congresso Nacional. Ele foi convocado como testemunha para falar sobre os acontecimentos que resultaram na invasão e depredação do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) em janeiro deste ano.
De acordo com o presidente da CPI, deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), como testemunha, Cid tem o dever de dizer a verdade, sob pena de incorrer em crimes previstos no Código Penal. No entanto, o advogado de Cid, Cezar Bitencourt, ressaltou que seu cliente não é apenas uma testemunha, mas sim um indiciado, o que lhe confere o direito ao silêncio. Bitencourt afirmou que orientaria Cid a não responder parte das perguntas feitas durante a sessão.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro encontra-se preso desde maio, acusado de participar de um esquema de falsificação de cartões de vacina em benefício de seus parentes, do ex-presidente Bolsonaro e de familiares do mesmo. Além disso, o militar, de 44 anos, está sendo investigado em outros inquéritos, incluindo o que apura os responsáveis pelos atos de janeiro e o que investiga o desvio e a tentativa de venda de joias presenteadas pelas autoridades sauditas a Bolsonaro e sua esposa.
Durante seu pronunciamento inicial, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro enfatizou sua ampla experiência militar ao longo de 27 anos de serviço, incluindo passagens como observador militar das Nações Unidas no Chipre e instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Cid afirmou ter sido designado como chefe da Ajudância de Ordens da Presidência da República diretamente pelo comando do Exército.
Ele ressaltou que sua nomeação não teve interferência política e que sua função era prestar assistência direta e imediata ao presidente em assuntos pessoais e cerimoniais. Cid também destacou que recebia correspondências e objetos entregues ao presidente e os encaminhava aos setores competentes.
A Polícia Federal revelou, durante as investigações iniciais, que parte das joias sauditas recebidas por Bolsonaro e seus assessores não foi corretamente apresentada ao setor responsável por catalogar os presentes dados aos presidentes. Isso levantou suspeitas sobre a incorporação dessas joias aos acervos privados, em vez de serem consideradas bens da União.
Cid afirmou que sua função consistia basicamente em prestar serviços de secretariado executivo ao ex-presidente. Ele declarou que, durante as reuniões e agendas de Bolsonaro, recepcionava os participantes e os encaminhava para os locais desejados, permanecendo do lado de fora das salas de reunião. Cid enfatizou que não questionava o que era tratado nas respectivas agendas e reuniões.
Apesar de ter optado pelo silêncio no depoimento à CPI, Cid reafirmou sua posição e negou qualquer envolvimento em atividades ilegais. O militar permanecerá sob investigação, enquanto a CPI prosseguirá em busca de mais informações sobre os atos ocorridos em janeiro.