A relatora da CPMI indaga o ex-assessor de Bolsonaro sobre transações financeiras significativas.
O sargento do Exército, Luis Marcos dos Reis, que fazia parte da equipe da Ajudância de Ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou durante seu depoimento à CPMI do 8 de Janeiro que as movimentações financeiras identificadas nos relatórios de inteligência financeira (RIFs) eram resultado de um consórcio entre colegas que ele gerenciava. Ele também explicou que outras transações foram originadas pela venda de um carro para o tenente-coronel Mauro Cid e por benefícios recebidos no âmbito do Exército, como férias, licenças e pecúnia.
Ao apresentar extratos bancários, o sargento detalhou que recebeu cerca de R$ 122 mil ao sair da reserva, além de outros R$ 52 mil. Ele explicou que funcionários públicos recebem de maneira diferente dos militares, que recebem a chamada pecúnia. Sobre o montante de R$ 550 mil apontado nos relatórios, o sargento afirmou que se a senadora Eliziane Gama diminuir a quantia de R$ 1,501 milhão pelos R$ 550 mil, sobrarão R$ 960 mil. Ele também alegou que uma quantia de R$ 239 mil que aparece nos extratos foi duplicada por envolver uma conta-poupança e uma conta-corrente.
O sargento explicou que as movimentações identificadas nos RIFs fazem parte de um consórcio, uma prática comum no meio militar que possibilita obter empréstimos com juros menores. Ele atuou nas Forças Armadas por 33 anos e atualmente está na reserva.
Porém, para a senadora Eliziane Gama, relatora da CPMI, as informações do depoimento e dos RIFs reforçam a existência de transações atípicas relacionadas ao ex-presidente Bolsonaro. Ela destacou que os relatórios indicam que o sargento movimentou cerca de R$ 3 milhões entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2022, o que seria incompatível com sua remuneração mensal de aproximadamente R$ 10 mil a R$ 13 mil.
A relatora também ressaltou a importância de investigar essas movimentações para identificar possíveis financiadores dos atos do 8 de Janeiro. Ela mencionou repasses feitos pela empresa Cedro do Líbano Comércio de Madeira e Materiais para Construção para a conta do sargento, empresa que é investigada pela Polícia Federal e que tem como sócio Vanderlei Cardoso de Barros, ex-auxiliar da presidência no Palácio da Alvorada.
Segundo Eliziane, a empresa Cedro do Líbano realizou movimentações de mais de R$ 32 milhões entre 2020 e 2023, o que chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ser incompatível com o porte e a estrutura da empresa. Ela também afirmou que a empresa transferiu R$ 74.280 para o sargento.
Questionado sobre sua relação com Vanderlei Cardoso de Barros e possíveis pagamentos à ex-primeira dama Michele Bolsonaro, o sargento afirmou que não tinha conhecimento sobre a empresa ser de propriedade de Barros e que não fez pagamentos a Michele. Ele também se recusou a responder sobre as investigações do esquema de falsificação de cartões de vacina do ex-presidente e negou qualquer envolvimento.
Luis Marcos dos Reis foi preso em maio durante as investigações do esquema de falsificação do cartão de vacinação do ex-presidente Bolsonaro. A CPMI continua a inquirir o depoente.
Fonte: Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)