Devido à escassez de docentes, universidade renomada cortará 11 disciplinas de seu currículo.
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Diante dessa situação, os estudantes de artes visuais, assim como alunos de outros cursos da ECA e de outras unidades da USP, realizaram uma manifestação no dia 9 de agosto para denunciar a falta de professores e exigir providências da direção da unidade e da reitoria. Segundo os estudantes, o curso de artes visuais foi o 12º mais procurado no último vestibular da USP, com quase 31 candidatos por vaga, e possui um papel histórico importante para as artes brasileiras.
O coordenador do curso, João Musa, confirmou a dificuldade enfrentada, destacando que há critérios definidos para a indicação de professores que afetam diretamente a reposição do quadro docente. Musa ressaltou que a reposição de professores foi diminuindo ao longo dos anos, causando um déficit significativo. A USP prometeu repor 80% dos professores que foram perdidos nos últimos quatro anos, porém, para quem já estava com profissionais a menos, essa reposição gera outro buraco.
De acordo com a Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), a situação de falta de professores também acontece em outras unidades da universidade e é resultado da precarização do trabalho docente e da redução deliberada de contratações desde 2014. A Adusp afirmou que as contratações anunciadas pela reitoria atualmente são insuficientes para cobrir o déficit de mil docentes na USP.
Michele Schultz, presidente da associação dos docentes, destacou que faltam pelo menos mil professores em todas as unidades da USP. Ela ressaltou que o anúncio da contratação de 876 docentes pela reitoria se refere a algo que já estava previsto na gestão anterior e que as vagas anunciadas não consideram as aposentadorias, exonerações e mortes que ocorrerão durante a gestão. Em média, entre 180 e 200 docentes se retiram por ano, totalizando cerca de 800 em quatro anos.
A Reitoria da USP informou que no início de 2022 concedeu 876 vagas para reposição dos docentes, de acordo com a demanda das unidades de Ensino e Pesquisa. No entanto, cabe às unidades realizar os processos seletivos para a contratação dos professores.
Diante da situação, alunos, funcionários e docentes têm se mobilizado para defender a universidade pública. Segundo Schultz, há iniciativas que visam a privatização da universidade há décadas, mas recentemente essa tendência tem se intensificado, e é necessário defender a concepção de universidade pública.
Em conclusão, a falta de professores no curso de artes visuais da ECA USP, assim como em outras unidades da universidade, tem gerado preocupação entre os estudantes e levantado discussões sobre a precarização do trabalho docente e a redução de contratações. A reposição de professores não tem sido suficiente para suprir o déficit, comprometendo a qualidade do ensino e o prestígio da universidade. A situação tem motivado manifestações e ações em defesa da universidade pública.