Em reunião com Bolsonaro, hacker divulga intenção do presidente em conceder indulto. Encontro tem repercussões cibernéticas significativas.
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A deputada federal Carla Zambelli teria intermediado o telefonema entre Delgatti e Bolsonaro. O objetivo do grampo seria minar a confiança da população no processo eleitoral e no TSE, que é presidido por Morais. Delgatti afirmou que o presidente disse que o grampo havia sido realizado por agentes estrangeiros, mas que não teve acesso a ele.
Além disso, Delgatti relatou que antes do telefonema, ele teve um café-da-manhã no Palácio da Alvorada com Bolsonaro, Carla Zambelli, o tenente-coronel Mauro Cid e o general Marcelo Câmara. Nas reuniões prévias, o marqueteiro Duda Lima teria sugerido que o hacker implantasse um “código malicioso” em uma urna eletrônica para questionar a integridade do sistema.
No encontro no Palácio da Alvorada, Bolsonaro teria reforçado o pedido e sugerido que Delgatti auxiliasse técnicos do Ministério da Defesa a apontar fragilidades das urnas eletrônicas. O hacker afirmou ter ido quatro vezes ao Ministério da Defesa e ter orientado a elaboração de um relatório sobre as vulnerabilidades das urnas.
Delgatti também mencionou sua relação com a deputada Carla Zambelli, afirmando que ela o contratou para gerenciar suas redes sociais durante a campanha à reeleição de Bolsonaro. Ele recebeu remuneração e depois recebeu um total de R$ 40 mil. Delgatti admitiu ter invadido o sistema do CNJ a pedido de Zambelli, inserindo um mandado de prisão falso contra Morais.
O depoimento de Delgatti foi considerado “bombástico” pela senadora Eliziane Gama, relatora da CPMI. Ela ressaltou que as informações trazidas pelo hacker são sérias e têm relação com o questionamento do resultado eleitoral e a tentativa de emplacar uma narrativa incompatível com a realidade.
Ao final do depoimento, o presidente da CPMI, deputado Arthur Maia, lamentou que Delgatti tenha utilizado sua inteligência para cometer crimes e destacou que ele é um homem de talento raro. O depoimento de Delgatti continuará na comissão, enquanto ele permanece preso e é investigado pelas invasões e inserção de documentos falsos no sistema do CNJ.