Tragédia marítima sem precedentes: naufrágio do Príncipe de Astúrias, conhecido como ‘Titanic brasileiro’, ocorreu em apenas 5 minutos.

O navio havia partido de Barcelona, na Espanha, com destino a Buenos Aires, na Argentina. Seu itinerário incluía paradas em Las Palmas, Santos e Montevidéu antes de chegar ao destino final. O Príncipe de Astúrias era considerado o navio mais luxuoso da Espanha, com 150 metros de comprimento. Era composto por dezenas de cabines confortáveis, divididas em primeira e segunda classes, classe econômica e setor de imigrantes, onde se concentrava quase metade das pessoas a bordo. Além disso, o navio possuía restaurante, biblioteca, deck com vidros de cristal e sala de música.
O naufrágio do Príncipe de Astúrias durou apenas cinco minutos. Naquela noite chuvosa, com visibilidade extremamente ruim, o navio colidiu com formações rochosas na área da Ponta da Pirabura, em Ilhabela. O impacto danificou a estrutura do navio, abrindo uma fenda de cerca de 40 metros no casco. A casa de máquinas foi inundada em questão de minutos, resultando na explosão das caldeiras e na divisão da embarcação em três partes. O naufrágio causou a morte de mais de 440 pessoas, o que lhe rendeu o apelido de “Titanic brasileiro”.
Mais de um século depois, a causa do naufrágio ainda é motivo de controvérsia. Além disso, acredita-se que o número de passageiros clandestinos a bordo tenha contribuído para o elevado número de mortes, já que mais de mil sepulturas foram encontradas nas praias após o acidente.
O Príncipe de Astúrias foi construído na Escócia em 1914, dois anos antes do naufrágio, e possuía uma estrutura de duplo casco, assim como o Titanic. Além dos passageiros e tripulantes, a embarcação transportava uma carga diversificada, incluindo fios elétricos, vinho, metais e estátuas de bronze destinadas ao Monumento dos Espanhóis em Buenos Aires.
Hoje, mais de 100 anos após o naufrágio, é possível mergulhar nos destroços do Príncipe de Astúrias, que se encontram a uma profundidade de até 30 metros no litoral norte de São Paulo. No entanto, o local é desafiador devido à movimentação da água e à visibilidade limitada. Ainda assim, é possível avistar itens como banheiras, chuveiros e utensílios que compunham o cenário do navio.
Muitos dos objetos resgatados pelos mergulhadores ao longo dos anos, juntamente com os itens encontrados por moradores após o naufrágio, são exibidos no Museu Náutico de Ilhabela, inaugurado em 2022. O museu conta com talheres, pratos e até mesmo bonecas pertencentes a pessoas que estavam a bordo naquele fatídico dia.
Desde sua abertura, o museu já recebeu cerca de 85 mil visitantes. No entanto, a destinação de outros objetos resgatados do naufrágio ainda está em discussão, e espera-se que possam ser adicionados ao acervo do Museu de Ilhabela no futuro.
O naufrágio do Príncipe de Astúrias continua sendo um marco na história marítima do Brasil, relembrando a tragédia que custou a vida de centenas de pessoas e deixou um grande mistério a ser desvendado.