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Substâncias Psicoativas: Causadoras de 50% das Mortes Violentas no Brasil, Revela Estudo – Jornal da USP

Substâncias Psicoativas: Causadoras de 50% das Mortes Violentas no Brasil, Revela Estudo – Jornal da USP

7 de abril de 2025

Autores:

Redação


Título: Relatório do Projeto Tânatos Revela Impacto das Substâncias Psicoativas nas Mortes Violentas no Brasil

Henrique Silva Bombana, biomédico toxicologista e integrante do Grupo de Estudos em Álcool, Drogas e Violência da Faculdade de Medicina da USP, analisou o recente relatório do Projeto Tânatos, uma iniciativa que resulta de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senad/MJSP) e sua instituição. O estudo avalia a presença de substâncias psicoativas em amostras de sangue coletadas post mortem de vítimas de mortes violentas, compreendendo um total de 4.174 amostras obtidas entre 2022 e 2024.

O relatório evidencia que as substâncias psicoativas constituem um desafio significativo para a saúde pública e a segurança no Brasil. Das amostras analisadas, 50% das vítimas havia consumido pelo menos uma substância antes da morte. A cocaína e o álcool se destacam entre as substâncias mais consumidas, registrando um uso de 26,7% e 26,2%, respectivamente. Bombana observa com preocupação o expressivo uso de cocaína, ressaltando que esse consumo está associado a um aumento no risco de morte por homicídio.

A pesquisa também identificou a presença de outras substâncias, como cannabis (2%) e benzodiazepínicos (7%), fármacos comumente utilizados para tratar ansiedade e insônia. Os dados indicam que a utilização de cocaína está ligada a maiores chances de óbitos por homicídio, enquanto o álcool está associado a um aumento de mortalidade em acidentes de trânsito. Por sua vez, o uso de benzodiazepínicos foi vinculado a um incremento no risco de suicídio.

Perfil das Vítimas

O estudo revela que a maioria das vítimas era composta por homens (86%), com uma idade média de 33 anos, predominantemente pardos (72%) e oriundos da região Sul do país (62,9%). Bombana destaca que as características demográficas das vítimas podem variar segundo as regiões do Brasil, refletindo as especificidades locais. Além disso, os óbitos relacionados ao consumo de substâncias ocorrem com maior frequência nos finais de semana (36,3%) e durante o período noturno (51,6%).

Urgência nas Políticas Públicas

O Projeto Tânatos visa levantar dados que possam informar e fundamentar a formulação de políticas públicas que busquem reduzir a mortalidade associada ao uso de substâncias psicoativas. Bombana enfatiza que as drogas são uma realidade presente em nossa sociedade e que a ação governamental deve se pautar em evidências para prevenir óbitos relacionados ao tema. "A academia deve apresentar os dados, e o poder público deve agir para não permitir que essas pessoas percam a vida", afirma.

Para o especialista, é crucial estabelecer um banco de dados nacional unificado que concentre informações sobre as mortes violentas. Atualmente, esses dados são fragmentados entre os Institutos Médico Legais (IMLs) e as diferentes polícias, dificultando a análise e compreensão do fenômeno. Ele destaca o lançamento do Obid, o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, como um passo inicial para a unificação de dados, essencial para otimizar futuras pesquisas e informaturas de políticas públicas.

Bombana conclui: "Estamos diante de um desafio complexo que exige a união de esforços entre as diversas esferas da sociedade. Somente assim conseguiremos enfrentar a problemática das substâncias psicoativas de forma eficaz e humana."



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