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Química Verde: Transformando Henna em Compostos Bioativos de Forma Sustentável

Química Verde: Transformando Henna em Compostos Bioativos de Forma Sustentável

13 de maio de 2026

Autores:

Iva Souza de Jesus, Professora no Departamento de Ciências Exatas, Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)


Henna: Corante Milenar Com Potencial Medicinal e Ecológico

A henna, utilizada por milênios como um corante natural para cabelos e pinturas corporais, possui um componente-chave: a lausona, uma molécula extraída das folhas da planta Lawsonia inermis. Surpreendentemente, essa substância não se limita apenas à coloração; também apresenta uma série de atividades biológicas com potencial medicinal.

Estudos revelam que a lausona possui uma estrutura química do tipo quinona, conferindo-lhe propriedades antifúngicas, anti-inflamatórias e antitumorais. Tais características têm chamado a atenção de pesquisadores que, ao longo dos anos, têm buscado o desenvolvimento de derivados mais eficazes. No entanto, as técnicas convencionais frequentemente recorrem a solventes tóxicos e processos que elevam custos e o impacto ambiental.

Recentemente, um grupo de cientistas, incluindo especialistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), inovou nesse cenário ao publicar um estudo no periódico Royal Society of Chemistry Advances. O trabalho propõe um método sustentável e eficiente para a produção de derivados da lausona, eliminando o uso de solventes através de reações por moagem, alinhadas aos princípios da química verde.

Uma Abordagem Sustentável

Tradicionalmente, reações químicas ocorrem em meio líquido, frequentemente utilizando solventes tóxicos. A nova técnica desenvolvida utiliza a mecanossíntese, onde a energia mecânica da moagem facilita as reações entre moléculas. Essa abordagem não apenas reduz o uso de solventes, mas também acelera o processo, tornando-o mais econômico.

O estudo utilizou quitosana, um biopolímero derivado de carapaças de crustáceos, como catalisador. Durante o processo, a quitosana é convertida em quitosana sulfônica, o que permite que ela atue de forma eficiente e sustentável, podendo ser reutilizada até cinco vezes com uma leve diminuição no rendimento.

Resultados Promissores

A eficácia do novo método foi comprovada, alcançando rendimentos superiores a 90% em apenas 1 a 3 horas de reação, uma notável melhoria em comparação aos métodos convencionais, que podem levar até 12 horas. Além disso, a capacidade de ampliar o processo sem perda de eficiência fortalece sua aplicabilidade em contextos industriais.

Esse avanço não apenas reduz resíduos, mas também faz parte de um movimento maior na química moderna, que busca minimizar o impacto ambiental da indústria, de acordo com as exigências contemporâneas, como mudanças climáticas e a escassez de recursos.

A pesquisa representa um importante passo em direção à produção de moléculas úteis de maneira sustentável, promovendo reações a seco que respeitam o meio ambiente e explorando a utilização de catalisadores biodegradáveis. Esse tipo de inovação é vital para sustentar o futuro da química e sua contribuição para a saúde e a indústria.

 
A pesquisa mencionada é parte do Instituto Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (INCT-INBEB), com financiamento do CNPq e da FAPERJ, e recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes).



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