Quase 30% dos Microempreendedores Individuais estão no Cadastro Único
Um dado revelador emerge do recente levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS): 4,6 milhões, ou 28% dos microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil, estão registrados no Cadastro Único (CadÚnico), um sistema que congrega beneficiários de programas sociais do governo federal.
Este estudo aponta que aproximadamente 2,6 milhões desses empreendedores optaram por formalizar seus negócios após a inclusão no CadÚnico, enquanto 1,9 milhão já possuía o CNPJ antes de aderir à plataforma.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, destaca que os benefícios sociais funcionam como um impulsionador da autonomia financeira. “As políticas públicas promovem o empreendedorismo. No último ano, observamos uma série de indicadores positivos. O Brasil detém um potencial produtivo imenso, e os pequenos negócios são fundamentais nesse contexto. A inclusão social, de renda e de emprego está intrinsicamente ligada ao empreendedorismo”, analisa Soares.
Por sua vez, o ministro Wellington Dias, do MDS, ressalta que as políticas de assistência são mais do que uma simples proteção às famílias. “Quando alguém acessa o Cadastro Único, abre portas para capacitação, crédito e inclusão produtiva. Os dados mostram que a política social não é um destino final, mas um ponto de partida, permitindo que milhões de brasileiros empreendam, gerem renda e construam um futuro dignificante”, afirma Dias.
Ainda segundo a pesquisa, a maioria dos empreendedores registrados no CadÚnico é composta por mulheres (55,3%) e pessoas não brancas (64%). A maior parte pertence a famílias com três ou mais integrantes (51,3%) e, surpreendentemente, possui, em sua maioria, ao menos o Ensino Médio completo (51%). A faixa etária predominante é a de adultos entre 30 e 49 anos, representando 53% do total.
No que tange ao perfil dos negócios, o setor de serviços lidera as preferências, com 54% dos MEIs inscritos, devido ao baixo investimento inicial requerido. O comércio se posiciona em segundo lugar, com 26%, seguido pela indústria, que representa 10%.
Os especialistas envolvidos no estudo argumentam que a combinação entre geração de emprego, renda e incentivo ao empreendedorismo é crucial para a superação da pobreza no país. Um dado significativo para corroborar essa afirmação é que, em 2025, mais de 2 milhões de famílias deixaram de ser beneficiadas pelo Programa Bolsa Família.
Dentre elas, 1,3 milhão de famílias conseguiram se desvincular do programa devido ao aumento na renda familiar, enquanto 726 mil completaram o período de proteção previsto na regulamentação.
A crescente inclusão nos CadÚnico e a formalização dos microempreendedores indicam um caminho importante rumo à transformação socioeconômica no Brasil.
