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Os Progressistas e a Dificuldade na Comunicação com a População: Uma Análise do Jornal da USP

Os Progressistas e a Dificuldade na Comunicação com a População: Uma Análise do Jornal da USP

28 de fevereiro de 2025

Autores:

Redação


O Desafio da Comunicação Progressista: Reflexões Críticas sobre o Debate Atual

Por [Seu Nome], Jornalista com 20 Anos de Experiência

É recorrente a afirmação de que o crescimento do extremismo conservador se deve, em grande parte, à suposta “inabilidade de comunicação das esquerdas”. Este diagnóstico, que começa a se consolidar como consenso, nos leva a lembrar a célebre frase do dramaturgo Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. Essa advertência nos incentiva a não simplificar a complexidade do fenômeno.

A Comunicação e seu Canal

Em sua obra Linguística e Comunicação, o renomado linguista Roman Jakobson destaca a importância do canal de comunicação no ato de transmitir ideias. Essa consideração se torna essencial ao analisarmos a alegada ineficácia comunicativa do campo progressista. A comunicação não se dá em um vácuo; ao contrário, é impactada pelo ambiente em que circula. Hoje, plataformas como Twitter (ou “X”, como foi renomeado) e as redes sociais da Meta (como Facebook e Instagram) são dominadas por empresários que em sua maioria se alinham ideologicamente ao conservadorismo. Essa realidade gera uma desigualdade significativa, visto que esses meios têm o poder de impulsionar ou ocultar publicações, subvertendo a tão celebrada “liberdade de expressão”.

Convencer ou Comunicar?

Entender a suposta inabilidade comunicativa sem considerar o contexto histórico atual pode nos levar a erros de análise. Vivemos em uma era marcada pela atomização social, onde a utopia da igualdade e da justiça social pode não ter o mesmo apelo que no passado. É válido investigar se o novo desejo não reside na busca por ascensão individual, coerente com o crescimento de cursos e coaches que prometem sucesso pessoal. Se a hipótese de que “o sonho mudou” se confirmar, será inadequado atribuir o insucesso das pautas igualitárias a uma falha de comunicação. Talvez uma comunicação clara revele que muitas pessoas estão optando por propostas concorrentes.

Nessa perspectiva, se existe um erro, ele não deve ser visto apenas como uma falha no estilo ou na clareza, mas sim como um desafio na argumentação. Seguindo o pensamento de Perelman e Olbrechts-Tyteca em Tratado da Argumentação – A Nova Retórica, é crucial lembrar que os valores são plurais e muitas vezes opinativos, distantes de uma objetividade absoluta. Assim, devemos perguntar: valores como igualdade e justiça, pilares do discurso progressista, ainda ressoam como universais, ou precisam ser defendidos de outra forma?

O Peso das Palavras

Neste texto, abordamos a “comunicação progressista” destacando dois pontos frequentemente negligenciados: o controle dos canais de comunicação e a mutação das aspirações individuais, especialmente em um mundo transformado pelo trabalho e pela digitalização. A questão não se resume à eficácia de transmitir mensagens; está vinculada à estrutura onde essas ideias circulam e às transformações nas aspirações socioeconômicas.

Portanto, o desafio da comunicação não reside apenas em como falar, mas também no conteúdo das mensagens. Até que ponto os valores progressistas ainda se configuram como um horizonte desejável para a sociedade atual? Assim, embora estejamos apenas começando a explorar o tema, é necessário ir além da análise simplista que sugere que uma comunicação eficaz é a chave para grandes transformações sociais. Reconhecer a importância da comunicação clara continua sendo um passo fundamental, e aprimorar essa habilidade é, sem dúvida, um objetivo a ser perseguido.


As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.



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