Pré-Campanha 2026: O Cenário Político Nacional em Movimento
Por Gaudêncio Torquato, jornalista e professor titular da USP
No Brasil, o ciclo eleitoral é uma constante. Com um ano e sete meses até o próximo pleito presidencial, a corrida já começou, e candidatos começam a se articular por todo o país. O presidente Lula, por exemplo, intensifica suas visitas a diferentes estados, enquanto ajusta sua agenda internacional.
Atualmente, Lula enfrenta desafios significativos: uma pesquisa recente da Quaest revela que 56% da população desaprova seu governo, um cenário incomum para suas três gestões. Sua popularidade está em baixa, e, caso as eleições fossem hoje, ele perderia para Jair Bolsonaro em uma aritmética eleitoral de 28,6% a 33,3%.
Para tentar reverter essa tendência negativa, Lula ordenou que ministros deixem os gabinetes e se apresentem ao público, promovendo ações governamentais locais. A comunicação, sob a batuta de Sidônio Palmeira, ministro da Comunicação, será um instrumento importante, mas não será a única estratégia a ser utilizada para melhorar a imagem do governo.
Enquanto isso, Jair Bolsonaro continua a percorrer o país em uma agenda intensa, se posicionando como o principal opositor. Sua crença de que o apoio popular pode ajudá-lo a lidar com questões legais — enfrentando um possível julgamento que pode levá-lo à prisão — o leva a adotar uma postura de vítima, estratégia que já se mostrou eficaz em eleições passadas, como no caso de Donald Trump.
Bolsonaro busca inflamar a polarização política, um cenário que não apenas o favorece, mas também dá espaço a novos nomes na oposição, como os governadores Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO). Caso Bolsonaro não se candidate, haverá uma abertura para Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, que é bem visto pela população e tem aliados estratégicos como Gilberto Kassab.
São Paulo, como o maior eleitorado do país, com 36 milhões de votos, tem visto mudanças significativas na representação política. O PSDB, que anteriormente dominou a cena política, perdeu terreno, e novos partidos como o PSD, Republicanos e PL começam a emergir como protagonistas.
Em meio a esse embate, os governadores Caiado e Zema estão em busca de uma maior projeção nacional. Caiado, com uma boa avaliação no campo da segurança pública, e Zema, um liberal sem escândalos no passado, são figuras que podem surpreender nas próximas eleições.
Outros nomes também ganham destaque, como Michelle e Eduardo Bolsonaro, embora a possibilidade de que o capitão apoie suas candidaturas seja remota. O governador Ratinho Jr., do Paraná, surge como outra figura significativa, enquanto Ciro Gomes já se manifestou sobre sua não candidatura.
A viabilidade de qualquer proposta política até 2026 dependerá do estado da economia no meio daquele ano. As previsões não são animadoras, com o Banco Central revisando para baixo a expectativa de crescimento do PIB. Assim, a economia se reafirma como o termômetro da eleição, mesmo que a segurança pública seja, segundo pesquisas, a maior preocupação dos brasileiros.
Se Lula se candidatar, suas chances de vitória dependerão de um fator essencial: a capacidade de garantir ao eleitor um "Bolso cheio, Barriga satisfeita, Coração agradecido e Cabeça aprova" — a equação que define o voto consciente do brasileiro. A incerteza persiste: em tempos de dificuldades econômicas, o eleitor pode reconsiderar suas opções.
É importante lembrar que na política, o imponderável sempre pode nos surpreender. Acompanhemos de perto os desdobramentos desse intrincado cenário eleitoral nos meses que virão.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a posição do Jornal da USP ou da Universidade de São Paulo.
