Nova ferramenta da USP promete revolucionar a gestão de resíduos domiciliares no Brasil
Desenvolvida na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), a ferramenta ISRD (Índice de Sustentabilidade da Gestão de Resíduos Domiciliares) surge como uma inovação crucial para a gestão de resíduos sólidos no Brasil. O objetivo é não apenas aprimorar a coleta e o descarte, que muitas vezes ocupam o centro das atenções das políticas públicas, mas também promover a redução, reaproveitamento, reciclagem e logística reversa. Essa abordagem integrada visa fortalecer as iniciativas sustentáveis, que têm se mostrado limitadas no país e em diversas nações de renda média e alta.
Audrey Moretti Martins, pesquisadora do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Resíduos Sólidos (Neper) da EESC, destaca que o ISRD é uma ferramenta acessível e intuitiva, projetada para auxiliar na escolha de alternativas a serem priorizadas na gestão de resíduos. "Ela contribui significativamente para a tomada de decisões na formulação de políticas, planos e programas, além de identificar as áreas mais vulneráveis e buscar soluções para os problemas emergentes", explica.
O projeto foi orientado pelo professor Valdir Schalch e contou com a colaboração dos pesquisadores Ana Maria Rodrigues Costa de Castro e Igor Matheus Benites. A estrutura da ferramenta se fundamenta nas oito dimensões de sustentabilidade propostas por Robert B. Gibson, que abrangem aspectos sociais, econômicos e ambientais, evitando sobreposições que possam distorcer a análise.
Audrey relata que a criação de indicadores qualitativos e quantitativos para essa ferramenta envolveu a consulta a especialistas, acadêmicos, membros de associações e gestores de resíduos sólidos das prefeituras. "Queremos que este instrumento seja acessível e utilizável por gestores públicos, pesquisadores e interessados na área", afirma.
A ISRD permite que o usuário avalie a gestão de resíduos de diversas maneiras, utilizando tanto dados primários, como entrevistas e questionários, quanto dados secundários, oriundos de documentos e fontes oficiais. O resultado é apresentado em um relatório que sintetiza o desempenho com gráficos radar, onde uma escala de 0 a 1 indica o nível de sustentabilidade da gestão. Quanto mais próximo de 0, maior é a necessidade de mudança nas estratégias; por outro lado, valores próximos de 1 denotam uma gestão mais sustentável.
Após a fase de desenvolvimento, a ferramenta está passando por testes com feedback de especialistas para ajustes e atualizações. O próximo passo é expandir a aplicação da ISRD para outras regiões do Brasil e desenvolver novos indicadores que abrangem diferentes tipos de resíduos, como os gerados pela construção civil e serviços de saúde.
Disponível para download gratuito em neste link, a ISRD consiste em um programa em Microsoft Excel, acompanhado de um tutorial em PDF e vídeo que orienta sua aplicação. A iniciativa representa um passo significativo em direção a uma gestão de resíduos mais sustentável e consciente em todo o país.
Texto: Assessoria de Comunicação da EESC
