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Nos Bastidores da Copa: Especialistas Revelam o Processo de Criação dos Gramados para o Mundial de 2026

Nos Bastidores da Copa: Especialistas Revelam o Processo de Criação dos Gramados para o Mundial de 2026

24 de abril de 2026

Autores:

John N. Trey Rogers, Professor of Turfgrass Research, Michigan State University


A Copa do Mundo da FIFA de 2026, programada para ocorrer em 104 partidas espalhadas por 16 estádios no Canadá, Estados Unidos e México, promete se tornar o maior evento de futebol da história. Para garantir que todos os jogos aconteçam em campos de qualidade superior, a FIFA contratou especialistas em gramados, cuja responsabilidade é assegurar a uniformidade e saúde das áreas de jogo, proporcionando uma experiência consistente para os atletas. Contudo, manter essa qualidade se mostra um desafio considerável.

Escolha da Grama Ideal

O projeto é monumental: abrange três zonas climáticas distintas e uma distância de quase 5 mil quilômetros entre os estádios mais afastados. As condições vão dos estádios ao ar livre sob o calor intenso de cidades como a Cidade do México e Miami, até arenas fechadas em localidades como Dallas e Atlanta, passando por climas gelados de Boston e Toronto.

A FIFA estabeleceu rigorosos padrões para a construção dos campos, exigindo grama natural, resistente o suficiente para suportar uma maratona de jogos e eventos. Isso inclui a necessidade de sistemas de irrigação automáticos, drenagem eficaz, manutenção da aeração do solo e o uso de luzes artificiais para cultivar a grama. Cada cidade-sede tem a missão de atender a esses requisitos específicos.

Essa missão se complica ainda mais pelo fato de que oito dos estádios anfitriões, que atualmente utilizam grama artificial, terão que realizar uma transição temporária para a grama natural. Como lidar com essa troca em estádios que têm coberturas, reduzindo a exposição à luz solar vital para a manutenção da grama viva durante o torneio?

Nossa equipe, composta por especialistas da Universidade do Tennessee e da Universidade Estadual de Michigan, tem se dedicado, nos últimos cinco anos, a resolver essas questões cruciais. Neste artigo, discutiremos os desafios que enfrentamos para cultivar o tipo ideal de grama, torná-la mais resistente e transportá-la de forma segura até cada estádio.

Cultivo da Grama

Tradicionalmente, a grama é cultivada em solo nativo, mas o processo de colheita, que envolve cortar as raízes, pode gerar estresse na planta, atrasando seu restabelecimento. Para a Copa do Mundo, onde os jogos ocorrem apenas 10 dias após a instalação, isso seria inviável. Optamos, então, por cultivar a grama em uma base plástica com areia, garantindo que as raízes possam se desenvolver sem grandes danos durante a colheita.

Pense nisso como plantar grama em uma bandeja plástica gigante. Quando as raízes atingem o plástico, elas se espalham lateralmente, formando um sistema radicular denso. Dessa forma, a grama pode ser instalada rapidamente e estar pronta para uso logo após a sua colocação.

No entanto, essa técnica apresenta riscos: a drenagem rápida oferecida pela areia é crucial, mas se o solo ficar exposto, um dia de chuvas pode levar a um deslizamento da areia. Para contrabalançar isso, decidimos misturar o bluegrass de Kentucky, que normalmente germina lentamente, com açevém perene, conhecido por seu rápido crescimento, resultando em uma mistura mais resistente e adaptável.

Estabilizando os Campos

Com cada campo sediando jogos e cerimônias, a durabilidade se torna imprescindível. Assim, nossa equipe incorporou fibras plásticas à grama, criando um sistema híbrido que garante a estabilidade do campo à medida que as raízes se entrelaçam com as fibras. Esse sistema não só permite uma superfície uniforme, mas também mantém a estética verde, mesmo com o desgaste natural durante os jogos.

Testamos diferentes sistemas de tapetes híbridos e confirmamos que todos atenderam aos padrões da FIFA, assegurando que, independentemente do local da partida, os jogadores terão uma experiência consistente e de alta qualidade.

Transporte do Gramado

Em 2026, a maior parte dos gramados será transportada em rolos, e embora algumas variedades estejam próximas de seus destinos, outras necessitarão de caminhões refrigerados. O transporte cuidadoso é fundamental, já que a grama permanecendo intacta durante a viagem assegura sua vitalidade na instalação.

A diversidade climática em disputa, que vai desde o sul ensolarado até os ambientes cobertos do norte, exige flexibilidade. A inovação é, portanto, uma constante neste projeto, garantindo que a Copa do Mundo de 2026 não seja apenas um evento inigualável em termos de competição, mas também na qualidade dos campos que receberão os melhores jogadores de futebol do mundo.



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