Guerra no Irã Pode Provocar Fome na África, Alertam Especialistas
A conflagração no Irã tem o potencial de desencadear uma grave crise alimentar na África, especialmente nas comunidades mais vulneráveis e de baixa renda. A reportagem aponta que a escalada nos preços e a escassez de fertilizantes, especialmente aqueles provenientes do Oriente Médio, podem forçar países africanos a competir por suprimentos cada vez mais escassos.
Apesar de seu grande potencial agrícola e da capacidade de se tornar um exportador significativo de alimentos, a África ainda depende fortemente de importações. Atualmente, cerca de 60% a 70% da ureia utilizada globalmente, um insumo vital para fertilizantes, é oriunda dos países do Golfo, cujos fornecimentos estão comprometidos devido ao conflito em curso entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Além disso, a produção de amônia, fundamental para fertilizantes nitrogenados, também enfrenta interrupções significativas, agravadas por paralisações em locais como o Catar, onde a produção foi totalmente suspensa devido a questões de segurança.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que, se a guerra continuar por mais tempo, a fome extrema poderá afetar até 45 milhões de pessoas na África. O cenário se torna ainda mais alarmante se considerarmos que, caso a situação no Irã não se resolva até metade do ano, cerca de 32 milhões de pessoas poderão ser empurradas para a pobreza extrema.
Dessa forma, as consequências da atual crise no Oriente Médio vão muito além das fronteiras dessa região, atingindo diretamente a segurança alimentar de milhões na África. As populações mais vulneráveis devem, portanto, se preparar para enfrentar os aumentos de preços e a escassez de alimentos, refletindo o impacto global de conflitos que, à primeira vista, parecem distantes.
