Diante de seu secretariado – recém-empossado -, o governador Renan Filho fez um chamamento ao povo de Alagoas por afinco e união, mas sobretudo assegurando trabalho e dedicação da equipe que chega. “Vamos trabalhar”, resumiu o novo chefe do Executivo alagoano.
Um dos trechos mais aplaudidos do discurso foi contra o nepotismo. Renan Filho determinou ao novo secretariado que seus titulares tenham o cuidado e atenção ao escolherem suas respectivas equipes.
“O governo ético é livre de nepotismo, não admite favorecimentos”, frisou Renan Filho. Nesta mesma linha, ele voltou a enfatizar que o “trabalho de sua vida” deve se estender aos novos secretários, pois com humildade e gratidão ao povo alagoano, o desprendimento e comprometimento com uma Alagoas melhor deve virar meta a ser alcançada diariamente, pois a sociedade escolheu Renan e seu vice, Luciano Barbosa, como a mudança tão almejada.
“Estamos delegando a cada um a execução de sua parte no compromisso de mudança que temos com o povo. A mudança, para deixar de ser palavra bonita e se tornar real e concreta, exige métodos novos. Temos que abolir práticas administrativas velhas e gastas que mantiveram o Estado no atraso. Devemos derrubar estruturas viciadas que paralisam o serviço público. Temos a obrigação de fazer o Estado merecer a confiança da população. Para isso é necessário também valorizar o funcionalismo, principal agente na relação entre a sociedade e o governo”, completou Renan Filho.
Diante do Salão de Despachos do Museu Palácio Floriano Peixoto lotado, o governador de Alagoas confirmou o que durante a sua campanha virou um mantra, a participação popular será decisiva para a instalação das políticas públicas que a sociedade verdadeiramente precisa. Por isso, ele confirmou – mais uma vez – que não será governador de gabinete.
“Vamos gastar mais sola de sapato do que na campanha – a campanha teve só quatro meses; agora nós temos quatro anos pela frente”, fechou o governador.
Confira discurso na íntegra.
Meus amigos, minhas amigas,
companheiras e companheiros de trabalho:
Gostaria de iniciar este nosso primeiro pronunciamento agradecendo a todos os secretários e secretárias por terem aceito o convite para participar da equipe do governo.
Agradeço também aos partidos da nossa aliança política que cederam quadros, discutiram políticas públicas, apoiaram as indicações feitas para as diversas pastas e se somaram ao esforço que iniciamos agora para dar novos rumos ao Estado de Alagoas.
Quero enfatizar, essencialmente, o significado da nossa vitória na eleição de 5 de outubro.
Foi a vitória do sentimento de mudança que se abrigou nos corações e nas mentes da grande maioria dos alagoanos – mesmo daqueles que não votaram em nós.
Mais importante ainda – e aqui destaco o que nos interessa – é que foi uma vitória no primeiro turno.
Isto tem um significado imenso, até mesmo histórico.
A vitória no primeiro turno significa que nós estamos aqui não apenas porque fomos os candidatos mais votados – e sim porque tivemos mais votos que todos os outros somados. Representamos a maioria.
Significa que o eleitor alagoano não teve dúvidas ao aprovar nossas propostas. Não pediu mais tempo para reflexão, não preferiu uma nova rodada de debates, nem a composição de novas alianças políticas.
Ele já tinha seu juízo formado. Estava decidido a nos entregar o leme. E foi o que fez, sem hesitação.
A alegria pela vitória é natural e legítima.
Mas a responsabilidade que pesa sobre nós, e que já era imensa, diante desse cenário aumenta ainda mais.
Devemos recebê-la com humildade e gratidão ao povo, a quem devemos obediência e trabalho.
Luciano Barbosa e eu, como candidatos a governador e vice, nos tornamos depositários da esperança da maioria do eleitorado em 5 de outubro. E agora, a expectativa é dos 3 milhões de homens, mulheres, jovens e crianças que vivem neste Estado.
Eles esperam de nós a mudança que Alagoas anseia para tornar essa terra mais próspera e feliz.
Ao trazê-los para o secretariado, estamos dividindo com vocês a responsabilidade de governar. Estamos delegando a cada um a execução de sua parte no compromisso de mudança que temos com o povo.
A mudança, para deixar de ser palavra bonita e se tornar real e concreta, exige métodos novos.
Temos que abolir práticas administrativas velhas e gastas que mantiveram o Estado no atraso. Devemos derrubar estruturas viciadas que paralisam o serviço público.
Temos a obrigação de fazer o Estado merecer a confiança da população. Para isso é necessário também valorizar o funcionalismo, principal agente na relação entre a sociedade e o governo.
A cada um de vocês, agora servidores públicos, caberá a tarefa de comandar uma divisão desse exército, de motivar seus comandados, dividir com eles os parabéns pelos acertos e as correções nos eventuais erros.
Nossa diretriz de governo, disse na campanha e repito aqui, é construída sobre três pilares: transparência, ética e proximidade.
O governo transparente atende ao direito do cidadão de saber como seus recursos são usados.
O governo ético emprega seus recursos buscando os melhores resultados com os menores custos, sem desvios e fechando todas as brechas à corrupção. O governo ético é livre de nepotismo, não admite favorecimentos.
O governo da proximidade precisa ouvir as pessoas, dialogar com os cidadãos e suas comunidades, para identificar as melhores soluções e resolver os problemas.
Este governo não é composto por gestores trancados em gabinetes.
Nem pode ser, porque a nossa candidatura, minha e de Luciano, nasceu e cresceu nas ruas, no diálogo com o povo.
Foram encontros populares, com participação massiva e entusiasmada, em todas as regiões de Alagoas, ouvindo o povo, recebendo propostas e sugestões, identificando aquilo que é preciso fazer e como fazer.
Foi um ciclo de encontros setoriais em que todos os segmentos da sociedade, organizados ou não, tiveram voz e atenção para suas opiniões e reclamos. E foram as caminhadas por todas as partes de Alagoas, reunindo multidões ou pequenas comunidades – não importava, o importante era ouvir o que o povo tem a dizer.
E aprendemos que o povo tem muito a dizer. Mais até: ele tem muito a nos ensinar.
Daí nasceu nosso programa de governo.
Posso afirmar que essa foi a principal razão da vitória no primeiro turno.Foi porque a proposta de trabalho que apresentamos à população não era só nossa, era dela também, tinha a marca do trabalhador, da dona de casa, da mãe de família, do jovem, do aposentado, do vaqueiro, do pescador, do artesão, do estudante e do professor, do povo suado que carrega Alagoas nas costas. Nossa proposta foi construída a milhares de mãos, por isso foi aprovada sem desconfianças.
Por tudo isso, volto a dizer: o diálogo permanente com o povo não foi apenas um estilo de campanha. Ele será a nova forma de governar.
O governador e seu secretariado vão para as ruas da capital e para as cidades do interior, conferir o que está sendo feito, se está tudo correndo de acordo com o planejado.
Vamos gastar mais sola de sapato do que na campanha – a campanha teve só quatro meses; agora nós temos quatro anos pela frente.
A missão que Alagoas está entregando a cada membro dessa equipe de governo é grande e trabalhosa: fazer muito com pouco, e ainda trazer os recursos para inteirar a conta.
Teremos que elaborar bons projetos para apresentar ao governo federal e pleitear recursos, e atuar junto à bancada federal, em Brasília, para desencavar esses recursos no menor prazo possível.
Não podemos desperdiçar energias nem talentos. Os projetos precisam ser bem-feitos e acompanhados com absoluta atenção.
Temos que trabalhar, com todo o nosso empenho, para que recursos federais que vierem para cá sejam aplicados integralmente, não tenham que ser devolvidos a Brasília por erros no projeto ou por falta de execução. Isso no futebol se chama “tomar bola nas costas”. Alagoas não pode se dar a esse luxo; não temos gordura pra queimar. Não aguentamos mais bola nas costas toda hora.
A avaliação do nosso trabalho deve ser permanente, e temos que ser exigentes com nós mesmos. Onde a gestão estiver boa, o gestor deve se perguntar: mas por que não está ótima?
Sempre há o que melhorar, mesmo se tudo aparentemente está indo bem. É outra lição que Mestre Povo nos ensina: o melhor momento pra consertar o telhado é quando faz sol lá fora.
Posso garantir a vocês: dá trabalho, mas é gratificante ver as coisas acontecendo, o serviço andando certo, a obra tocada no prazo, as contas em ordeme o povo satisfeito.
Aprendi isso num universo menor, quando fui prefeito de Murici. E estou decidido a realizar isso em Alagoas. Já disse na campanha eleitoral: esse trabalho à frente do governo do Estado é a missão da minha vida. A ele vou entregar todas as minhas energias, dedicar o melhor de meu esforço e da minha juventude, aplicar o que estudei, trabalhar o que for necessário, conversar com quem for preciso. E quero, preciso da ajuda de toda a equipe de governo.
É pra isso que estamos aqui. Não é pela honraria do poder, nem pela liturgia dos cargos, nem mesmo para abrilhantar o currículo: é para servir a Alagoas!
Cada um de vocês foi escolhido porque tem talento, espírito público, capacidade técnica e disposição de trabalho para cumprir as pesadas tarefas.
Secretárias e secretários do Estado:
Somos, a partir de agora, cada um de nós, os servidores públicos mais visados de Alagoas. Estaremos expostos diariamente à avaliação do povo, e devemos dar mais atenção às críticas do que aos eventuais elogios. A crítica constrói e estimula; o elogio pode acomodar.
Temos imensos encargos para enfrentar, uma diversidade impressionante de problemas para resolver. A saúde, a educação, a segurança pública, a redução da pobreza, precisam de diretrizes novas, e aguardam ansiosamente pela palavra de comando.
E o mais importante: é tudo urgente. Para ontem. Acostumem-se, por favor, a essa realidade: praticamente tudo o que temos de fazer é pra ontem.Precisamos recuperar o tempo perdido e avançar para o futuro.
Mas temos a nosso favor, além da confiança do povo, aquele truque linguístico dos chineses, em que crise significa oportunidades.
Alagoas é um estado em que quase tudo está por fazer. E tem terras férteis, clima excelente, água com fartura, recursos naturais abundantes, beleza sem par, logística atrativa e gente trabalhadora.
Não há de faltar quem queira investir num lugar com esses diferenciais.
Eu vou atrás de investidores.Nosso governo tem que estar preparado para convencer empresários brasileiros e estrangeiros de que, como diz a canção de Gilberto Gil, o melhor lugar do mundo é aqui e agora.
Conto com todos e com cada um de vocês. Alagoas espera muito de nós.
Muito obrigado e que Deus nos abençoe. Vamos trabalhar.
