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Explorando o Brasil Através de Suas Letras: O Intercâmbio Literário Entre os Países do BRICS

Explorando o Brasil Através de Suas Letras: O Intercâmbio Literário Entre os Países do BRICS

4 de maio de 2026

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O intercâmbio literário no BRICS: uma nova perspectiva sobre o Brasil

O lançamento da obra "O Povo Brasileiro", de Darcy Ribeiro, em Pequim, marca um avanço significativo na diplomacia cultural entre as nações do Sul Global. Realizado no dia 4 de abril de 2026, o evento foi parte das celebrações do Ano Cultural China-Brasil e, segundo a antropóloga Gisele Jacon de Araújo Moreira, é considerado a "melhor maneira de apresentar o Brasil aos chineses".

Esse movimento se alinha com o aumento na circulação de obras chinesas no Brasil, com clássicos como "Analectos", de Confúcio, e "O Camelo Xiangzi", de Lao She, ganhando espaço nas estantes brasileiras. Além disso, a literatura de outros países do BRICS também tem conquistado um público crescente no Brasil.

A Rússia, por exemplo, contribui com títulos como "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoiévski, e "Guerra e Paz", de Lev Tolstói, além de contos da escritora Nadiejda Aleksandróvana Lókhvitskaia. Obras do Irã, como "Persépolis", de Marjane Satrapi, também têm sido traduzidas, criando uma conexão entre civilizações através da literatura.

Esse intercâmbio cultural se torna um importante instrumento de aproximação entre os países do bloco, promovendo iniciativas conjuntas e trocas interpessoais. O professor Luis Antonio Paulino, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e diretor do Instituto Confúcio, destacou a relevância de obras que ajudam estrangeiros a compreender a complexidade da sociedade brasileira, citando outros intérpretes influentes como Celso Furtado e Gilberto Freire.

O professor observa um interesse crescente pela literatura brasileira na China, impulsionado pelo aumento do número de instituições que ensinam português. O surgimento de mais tradutores e acadêmicos nessa língua tende a aumentar o apelo por obras de autores brasileiros.

Em paralelo, Paulino mencionou a presença do curso de licenciatura em língua chinesa na Universidade de São Paulo, onde se planeja inaugurar um segundo curso na Unesp. Contudo, ele ressalta que o interesse pelo português ainda supera o entusiasmo pelo mandarim no Brasil.

Diferente das relações econômicas e militares, as trocas culturais são frequentemente vistas como mais saudáveis e duradouras. Para Paulino, enquanto interações comerciais podem levar a desbalanceamentos, as relações culturais tendem a promover a amizade entre nações. Ele citou a presença histórica da cultura russa no Ocidente como um fator que favoreceu a projeção global de autores russos, que se tornaram clássicos universais.

O cofundador da rede Observa China, Paulo Menechelli, também ressaltou a importância de iniciativas como o Ano Cultural China-Brasil, que envolvem colaboração entre governos e instituições acadêmicas. Ele argumenta que a tradução de "O Povo Brasileiro" possibilitará um entendimento mais profundo da sociedade brasileira, livre de visões ocidentais mediadas.

Menechelli sublinha que a obra de Darcy Ribeiro pode ser considerada uma leitura decolonial, oferecendo uma interpretação autêntica da cultura brasileira. Este movimento dialoga com uma necessidade contemporânea de questionar narrativas universais nas relações internacionais que muitas vezes são centradas na Europa e nos Estados Unidos.

A tradução dessa obra é, portanto, um passo significativo em direção à pluralização do conhecimento, permitindo que a China acesse uma visão realista do Brasil e, ao mesmo tempo, solidificando as bases de um relacionamento cultural mais autêntico. "Este esforço de pluralização é um importante exemplo de como podemos enriquecer as relações internacionais," concluiu Menechelli.



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