Estudo investiga impacto da luminosidade na pressão arterial de hipertensos
A relação entre a luminosidade ambiental e a pressão arterial tem despertado a atenção de pesquisadores da Faculdade de Educação Física e Esportes (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP). Cláudia Lúcia de Moraes Forjaz, professora da instituição e co-autora de uma pesquisa em andamento, explica que o foco do estudo é a população hipertensa, que representa um segmento significativo da sociedade brasileira.
“Recentemente, iniciamos uma série de investigações para compreender como variações na intensidade da luz podem influenciar as respostas fisiológicas durante e após a prática de atividades físicas”, comenta Forjaz. A especialista observa que, à medida que se aproximam do final do dia, a eficácia do exercício na redução da pressão arterial tende a ser maior, sugerindo que a luminosidade pode atuar como um marcador temporal, orientando o organismo sobre as condições diurnas.
De acordo com dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados em 2023, cerca de 27,9% da população brasileira vive com hipertensão arterial, uma condição que coloca em risco a saúde cardiovascular. Forjaz destaca que, embora a pesquisa inicialmente aborde a hipertensão, é fundamental que os resultados sejam replicados em outros grupos, visando uma compreensão mais ampla das interações entre luminosidade e saúde.
Entretanto, a pesquisa ainda se encontra em suas fases iniciais, e a docente enfatiza que, embora já existam indícios de que uma alta intensidade luminosa possa dificultar a redução da pressão arterial após exercícios, mais estudos são necessários para determinar se essa relação traz benefícios ou malefícios concretos. “Este é um estudo preliminar que aponta o potencial da luz em alterar as respostas cardiovasculares, mas precisamos de mais evidências para compreender as implicações dessa mudança”, afirma Cláudia.
Os benefícios da atividade física para a saúde são amplamente reconhecidos e extensivos, incluindo a prevenção de doenças crônicas, como a hipertensão. “A literatura científica já comprova os efeitos positivos do exercício não apenas na saúde cardiovascular, mas também em condições metabólicas, como diabetes e colesterol elevado, além de contribuir para a prevenção do câncer e outras enfermidades crônicas”, conclui a professora.
Assim, a pesquisa que se desenrola no Laboratório de Hemodinâmica da Atividade Motora promete trazer novas perspectivas sobre a interação entre ambiente e saúde, com o objetivo de aperfeiçoar estratégias de prevenção e tratamento de doenças que afetam a população.
