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Dilma usará Bolsa Família contra o impeachment

Dilma usará Bolsa Família contra o impeachment

4 de abril de 2016

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Ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fará defesa de Dilma – (Foto: Jorge William / Agência O Globo)
Ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fará defesa de Dilma – (Foto: Jorge William / Agência O Globo)

BRASÍLIA — O Palácio do Planalto decidiu, neste domingo, 3, politizar a defesa formal da presidente Dilma Rousseff, a ser apresentada nesta segunda, na comissão especial da Câmara que analisa o processo de impeachment. O tom será dado pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que poderá falar por duas horas. A estratégia será Cardozo explorar argumentos de que, além de não ter cometido crime de responsabilidade, a presidente Dilma tomou uma decisão que ajudou a preservar importantes programas sociais, como o Bolsa Família. O Planalto sustenta que a estratégia contábil, classificada de “pedalada” fiscal pelos acusadores da presidente, foi um mecanismo da relação entre o Tesouro e os bancos previsto em regras contratuais.

A avaliação é que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, foi muito bem na explanação da semana passada, mas ela foi muito técnica. “O Cardozo é um homem de tribuna. Ele vai misturar improvisos com o que está escrito na defesa”, disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ), aliado do ex-presidente Lula nas articulações.

O presidente da comissão especial, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), disse que abrirá a reunião desta segunda-feira, às 14h. Acrescentou que a defesa de Dilma deverá ser entregue às 16h30m, e Cardozo falará das 17h às 19h. A participação de Cardozo na comissão especial foi articulada pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Neste fim de semana, a presidente fez uma viagem-relâmpago a Porto Alegre, para visitar a família, e pedalou pelas ruas da capital gaúcha de manhã cedo. Depois, embarcou para Brasília. No fim da tarde, segundo interlocutores, a presidente se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada, entre eles o ministro-chefe do Gabinete da Presidência, Jaques Wagner.

“A presidente Dilma nos pediu um voto de confiança para a condução que ela estava dando ao processo”, disse um ministro muito ligado à presidente.

O Planalto quer explorar o desgaste da imagem do vice-presidente Michel Temer. O próprio Lula criticou-o abertamente, em evento realizado em Fortaleza, no sábado. A presidente concluiu, em conversa com ministros mais próximos, que é necessário dar um tom mais prático à defesa contra as chamadas “pedaladas” fiscais e não apenas se resumir a aspectos jurídicos e legais de que não houve crime de responsabilidade. Dilma  resolveu que dedicará esta segunda-feira às mudanças nos ministérios.

MUDANÇAS – No plano das negociações, o Planalto está colocando três das seis pastas do PMDB. Deve manter o ministro Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que se reuniu com o próprio Lula na última quarta-feira. O ministros Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marco Castro (Saúde) devem ser mantidos. Até mesmo o PMDB do Senado, aliado de Dilma, acredita que isso garantiria alguns votos na Câmara de peemedebistas ligados ao líder do partido na Casa, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ).

Amigo de Dilma, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), já disse à presidente Dilma que pode dispor de seu cargo. Braga poderá voltar ao Senado, reassumindo o mandato de comum acordo, e cuidar de seus planos para concorrer ao governo do Amazonas. O Ministério de Minas e Energia é importante na negociação e na busca de votos. Petistas também querem que a presidente desaloje a amiga Katia Abreu, porque o Ministério da Agricultura é sempre cobiçado, e a ministra não tem votos. O PMDB já não contabiliza Kátia Abreu como ministra do partido, e ela já busca nova filiação.

Será uma semana decisiva para o Palácio do Planalto nas articulações contra a aprovação do impeachment da presidente. Como ministro, Eduardo Braga tem uma reunião com o colega da Fazenda, Nelson Barbosa. O PMDB do Senado, incluindo os ministros, ainda deve manter contato com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aliado de Dilma.

No campo político, os petistas vão explorar o que chamam de chapa Temer-Cunha. Os petistas vêm criticando a ligação do vice-presidente com o presidente da Câmara, e usarão a foto do encontro do PMDB do dia 29, na qual Cunha aparece ao lado do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que comandou a sessão que aprovou o desembarque do governo.

“Aquela reunião do PMDB foi um erro. E os erros de outrem melhoraram a situação do governo”, disse um ministro.

“Temer é o capitão do golpe, porque ele assumiu o comando”, disse o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), que esteve com Lula em Fortaleza.

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