Colonialismo Digital: A Nova Face do Domínio das Big Techs
O crescente poder das grandes empresas de tecnologia está gerando inquietação sobre seus impactos na comunicação e na circulação de informações. Caio Almendra, cofundador do Instituto Brasileiro de Ciência de Dados (Bi0s), argumenta que vivemos um novo tipo de colonialismo, digital, que reflete práticas do passado, e que as estruturas algorítmicas utilizadas para a coleta e análise de dados podem prever comportamentos e tendências sociais.
Em suas declarações, também destaca que esse fenômeno se caracteriza por um imperialismo de dados. "Esse tipo de colonialismo envolve soft power, que se relaciona à opinião pública, e hard power, que diz respeito à repressão e à manipulação econômica. Através dos dados, algoritmos preveem o que pode acontecer, criando um cenário de controle eficiente sobre a sociedade", explicou.
Almendra ressalta que as big techs têm acesso a um volume sem precedentes de informações financeiras de indivíduos ao redor do planeta, o que resultou na ascensão de métodos alternativos de pagamento, como as criptomoedas, utilizadas especialmente em países sob sanções internacionais.
Espaço Digital: Dos Direitos à Censura
Plataformas como Facebook e Instagram, embora proclamem valores de liberdade e democracia, exercem um controle significativo sobre quem pode se expressar nas redes. Almendra alertou que, devido à origem norte-americana dessas empresas, elas operam em conformidade com os interesses políticos dos Estados Unidos. O professor de história João Cláudio Pitillo é um exemplo dessa realidade: o criador do canal Guerra Patriótica teve sua conta excluída do YouTube sem justificativa, o que o levou a confrontar judicialmente a gigante tecnológica.
O Pix como Sinal de Soberania Digital
Recentemente, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, foi mencionado em um relatório do governo dos EUA como uma ameaça às operadoras de cartões de crédito. Almendra argumenta que esse cenário ilustra a busca do Brasil por uma autonomia digital, colocando-o ao lado de países como Rússia e China, que também desenvolvem suas próprias infraestruturas digitais.
Nesse contexto, o ciberespaço torna-se, cada vez mais, um campo de batalha geopolítica onde as formas de controle e dominação são constantemente reavaliadas.
O debate sobre o colonialismo digital e seus impactos é crucial. A forma como as Big Techs moldam a comunicação e as interações sociais demanda uma análise profunda e crítica, essencial para entender as dinâmicas de poder no mundo contemporâneo.
