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Brasil tem prejuízos de R$ 47 bilhões ao investir em petróleo na Foz do Amazonas

Brasil tem prejuízos de R$ 47 bilhões ao investir em petróleo na Foz do Amazonas

23 de abril de 2026

Autores:

Fabiola Sinimbu - Reporter da Agencia Brasil


Exploração de Petróleo na Foz do Amazonas: Um Custo Alto para o Brasil

Ao considerar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, o Brasil pode estar abrindo mão de R$ 47 bilhões em receita e benefícios potenciais derivados de investimentos em energia renovável e biocombustíveis, segundo um estudo inédito da WWF-Brasil, divulgado nesta quinta-feira (23).

O valor citado inclui R$ 22,2 bilhões referentes a investimentos em combustíveis fósseis na Margem Equatorial, além de R$ 24,8 bilhões que deixariam de ser lucrados devido à falta de investimentos em eletrificação.

O Impacto da Decisão

O estudo, que se baseia na Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB) — metodologia recomendada pelo Tribunal de Contas da União para grandes investimentos públicos — visa esclarecer os prós e contras da abertura de uma nova frente petrolífera em um cenário de transição energética.

Conforme explica Daniel Thá, consultor da WWF-Brasil, essa abordagem é fundamentada em critérios objetivos e transparentes, buscando um retorno que beneficie não apenas investidores, mas toda a sociedade.

“A análise considera os impactos para todos os envolvidos, incluindo governo, empresas e famílias”, destaca Thá.

A Bacia da Foz do Amazonas

O estudo estima o desempenho produtivo da Bacia da Foz do Amazonas ao longo de 40 anos, com uma fase inicial de exploração de dez anos para confirmação da presença de petróleo. Nos anos seguintes, projeta-se o início da operação, estimando uma capacidade de extração de 120 mil barris por dia a partir de 20 poços, em uma reserva total de 900 milhões de barris.

Economicamente, empresas poderiam, em tese, operar com lucro a partir de um preço de venda de US$ 39 por barril, numa época em que o preço está próximo de US$ 100. No entanto, Thá alerta que o lucro das petroleiras é diretamente influenciado pelas políticas climáticas do país.

Emissões e Custo Social

O estudo também abordou o custo social das emissões de gases de efeito estufa, estimando um total de 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, principalmente na fase de consumo dos combustíveis. Esses custos podem gerar prejuízos entre R$ 21 e R$ 42 bilhões para a população.

Ao considerar esses números, os pesquisadores concluíram que a nova frente de exploração na Foz do Amazonas acarretaria uma perda líquida de R$ 22,2 bilhões ao longo de 40 anos, evidenciando que os custos e externalidades superam os benefícios esperados.

Comparação com Alternativas Energéticas

O estudo compara a exploração de petróleo a outras fontes de energia renovável. A produção média de petróleo foi convertida para uma medida equivalente de energia, totalizando 48,63 TWh/ano. No cenário de eletrificação, foram pesquisadas alternativas com uma combinação de energia eólica, solar, biomassa e biogás, que demonstraram potencial para gerar um saldo positivo de quase R$ 25 bilhões.

Embora os biocombustíveis, como etanol e biometano, apresentem custos mais elevados, seus impactos negativos colaterais são menores. Isso torna esse cenário R$ 29,3 bilhões menos custoso do que a rota dos combustíveis fósseis.

A Perspectiva da Petrobras

A Margem Equatorial, especialmente a Bacia da Foz do Amazonas, é vista como a nova fronteira de exploração no Brasil, com estimativas de 30 bilhões de barris de petróleo. Essa região é crucial para a biodiversidade e está próxima a rios importantes e florestas, ao mesmo tempo em que deve substituir a produção do pré-sal pós-2030.

A Petrobras argumenta que a produção na Margem Equatorial é uma estratégia vital para evitar futuras importações de petróleo. O governo também defende que os recursos obtidos com combustíveis fósseis deveriam financiar a transição energética do país.



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