Ativistas Cobram Ação de Lula pela Libertação de Thiago Ávila, Detido em Israel
Um grupo de dezenas de ativistas pró-palestinos se mobilizou hoje, 5 de maio, em frente ao escritório do Ministério das Relações Exteriores do Brasil em São Paulo, solicitando ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva intervenções concretas para a libertação do ativista Thiago Ávila. Ele se encontra preso em Israel desde 30 de abril.
Ávila foi detido durante a interceptação da flotilha humanitária Global Sumud em águas internacionais, a menos de 150 quilômetros da Grécia, enquanto tentava romper o bloqueio israelense sobre a Faixa de Gaza. De acordo com informantes, as forças israelenses realizaram a abordagem na madrugada de quinta-feira passada, e Ávila chegou a Israel em 2 de maio.
Entre os manifestantes estava Amanda Coelho, também conhecida como Mandy, que já havia sido detida em uma situação semelhante na mesma flotilha. "Fui sequestrada nesse último episódio, onde fui torturada e violentada em condições que se assemelham a um campo de concentração", testemunhou ela à Sputnik Brasil.
O ativista Bruno Gilga, que também se pronunciou durante a manifestação, descreveu a detenção de Ávila como um sequestro em desrespeito às normas do direito internacional. Relatos indicam que Ávila estaria em celas geladas e sob privação de sono, sendo exposto a luz intensa. "Esses são métodos clássicos de tortura", afirmou Gilga.
Informações publicadas pela revista Carta Capital indicam que Ávila iniciou uma greve de fome e que sua agressão na abordagem resultou em ferimentos graves. A advogada Hadeel Abu Salih revelou que ele e seu colega Abu Keshek sofreram violência na custódia e foram mantidos algemados e vendados.
Enquanto isso, Israel alega que suas forças foram forçadas a agir diante do que chamam de "obstrução física violenta" por parte dos ativistas, defendendo a legalidade de suas ações. Ávila e Abu Keshek enfrentam acusações que, segundo Israel, têm relação com uma organização reconhecida como terrorista pelos Estados Unidos.
Um tribunal israelense decidiu prorrogar a prisão preventiva dos ativistas por mais seis dias, o que foi considerado um "absurdo" pelos manifestantes. "A corte não apresentou nenhuma evidência concreta do suposto crime", disse Coelho.
Após entregar um documento ao Itamaraty, as exigências incluíram a imediata libertação de Ávila, reconhecimento do sequestro pelo presidente Lula, e um convite à ruptura de relações diplomáticas com Israel. O ato transcorreu pacificamente, mas houve resistência à manifestação.
Em suas redes sociais, Lula classificou a detenção de Ávila como uma ação "injustificável", solicitando sua libertação e salientando a necessidade de uma resposta internacional à violação do direito.
A flotilha Global Sumud, composta por mais de 50 embarcações, partiu recentemente de várias cidades na Europa com o objetivo de levar suprimentos a Gaza. Quatro brasileiros estão entre os detidos, sendo Ávila o único ainda em prisão.
Além do compromisso do Brasil na busca pela libertação do ativista, mais dez países, incluindo a Turquia e a Espanha, assinaram uma declaração conjunta pedindo libertações, considerando as detenções como graves violações do direito internacional.
O conceito de liberdade e Direitos Humanos está em deriva no contexto atual, em um cenário onde mais de 10 mil prisioneiros políticos palestinos permanecem encarcerados em Israel, conforme denunciado por Amanda Coelho, que enfatizou que a opressão vivida por estes prisioneiros é frequentemente ignorada pela comunidade internacional.
