Operação Compliance Zero Revela Organização Criminosa Ligada a Daniel Vorcaro
A Operação Compliance Zero, em andamento pela Polícia Federal (PF), está desvendando os contornos de uma organização criminosa que serve aos interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente detido.
As investigações indicam que o ex-proprietário do Master, Daniel Vorcaro, contava com uma complexa rede de proteção e intimidação, estruturada em dois núcleos distintos, identificados como "A Turma" e "Os Meninos". A comunicação entre Vorcaro e seus associados era realizada por meio de grupos no WhatsApp.
Na sexta fase da operação, realizada na semana passada, novas informações emergiram, mostrando a suposta infiltração de policiais federais, tanto da ativa quanto aposentados, além de vínculos com operadores do jogo do bicho e hackers.
O núcleo central dessa rede inclui a família Vorcaro, com Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, apontado como o principal operador financeiro da organização. Na última semana, Henrique foi preso preventivamente em Minas Gerais, acusado de financiar atividades ilícitas e gerenciar o fluxo de caixa do grupo.
A execução das operações criminosas contava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de "Sicário". De acordo com a PF, Mourão recebia em torno de R$ 1 milhão mensalmente para liderar a milícia privada de Vorcaro. Ele foi preso na terceira fase da operação em março de 2026 e, em circunstâncias controversas, acabou falecendo após uma tentativa de suicídio nas dependências da PF.
Estruturas Criminosas
A divisão operacional da organização criminosa é caracterizada por dois braços complementares. O núcleo "A Turma" lidava com ameaças presenciais e intimidações, contando com a colaboração de policiais federais aposentados, como Marilson Roseno da Silva e Sebastião Monteiro Júnior.
Além disso, a rede também conseguiu infiltrar a corporação policial, abordando a atuação de Anderson Wander da Silva Lima, lotado na Superintendência Regional da PF do Rio de Janeiro, e da delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, ambas afastadas por suspeitas de vazamento de informações sigilosas.
O braço armado da organização estabeleceu laços com a contravenção carioca, sendo Manoel Mendes Rodrigues o responsável por uma ramificação no Rio de Janeiro. A conexão com operadores ilegais conferiu à rede de Vorcaro uma capilaridade e um poder de intimidação sem precedentes. Informações da investigação indicam que a organização buscou atacar jornalistas e ex-colaboradores de Vorcaro.
Tecnologia e Espionagem
O segundo núcleo, "Os Meninos", é especializado em operações de espionagem e invasão digital, liderado por David Henrique Alves. Este grupo recruta hackers para realizar ataques cibernéticos e monitoramento ilegal, tendo acesso a sistemas restritos do Ministério Público Federal e da própria PF, além de plataformas internacionais como a Interpol e o FBI.
Os investigadores revelaram que o poder digital do grupo possibilitou que Vorcaro se antecipasse a ações das autoridades, garantindo uma blindagem frente a possíveis escândalos. Recentemente, um membro dessa equipe, Victor Lima Sedlmaier, que estava foragido, foi capturado em Dubai em uma ação conjunta entre a PF, a Interpol e a polícia local.
Infiltrações no Banco Central e Ligações Políticas
As investigações apontaram para uma infiltração preocupante no Banco Central, com diretores da instituição, como Paulo Souza e Bellini Santana, identificados como beneficiários de pagamentos oriundos de Vorcaro.
Além disso, uma investigação em curso está revelando um suposto esquema de corrupção no alto escalão político, onde o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi citado em um dos desdobramentos da operação, envolvendo "mesadas" que variam de R$ 300 mil a R$ 500 mil.
Ademais, a relação entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também se tornou foco de atenção, com áudios e mensagens que indicam um pedido de R$ 134 milhões para a conclusão de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante desse cenário complexo e abrangente, a Operação Compliance Zero continua revelando novas camadas de corrupção e atividades ilícitas, destacando o intrincado relacionamento entre crime organizado, política e finanças no Brasil.
