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Judith Butler: Gênero, Poder e Feminismo na Era Digital

Judith Butler: Gênero, Poder e Feminismo na Era Digital

17 de maio de 2026

Autores:

Raphaela Ribeiro


Cresce a Violência de Gênero no Brasil: Uma Reflexão Necessária

O último Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 revela um dado alarmante: a violência de gênero no Brasil atinge seu maior patamar na última década, com cerca de 1.470 casos de feminicídio registrados. A perspectiva para 2026 não é animadora. O debate em torno dessas questões vai além do simples reconhecimento das violências; implica em desvendar como desigualdades estruturais são criadas, naturalizadas e manipuladas politicamente, restringindo direitos e consolidando hierarquias sociais.

No seu mais recente livro, "Quem tem medo de gênero?", Judith Butler, renomada filósofa e escritora, propõe uma análise crítica à ideia distorcida de "ideologia de gênero", frequentemente apresentada por movimentos ultraconservadores como uma ameaça à família. Numa participação no Pauta Pública, Butler, com a interpretação da atriz Mika Lins, discute como essa narrativa tem sido utilizada para desviar o foco das verdadeiras crises sociais geradas pelo capitalismo.

Em conversa com Andrea Dip, Butler reflete sobre como o conservadorismo redireciona as atenções das reais ameaças contemporâneas, a fim de criar um pânico moral que sustenta agendas antidemocráticas. A filósofa sugere a construção de um mundo mais igualitário e solidário, por meio de alianças coletivas e novas formas de convivência.

Butler enfatiza: “O termo ‘gênero’ provoca pânico e medo não apenas por si só, mas pela insegurança em relação à família tradicional”. O medo, explica, não é mero capricho; é alimentado por crises econômicas, ambientais e sociais. Este contexto torna o “gênero” um símbolo de resistência a diversas formas de opressão, sendo estigmatizado por aqueles que temem a perda de privilégios.

Atração dos Jovens pelo Conservadorismo

O crescente interesse de jovens, especialmente meninos adolescentes, por ideologias como “incel” e “red pill” também merece atenção. Butler questiona: qual a raiz de tal impotência que leva esses jovens a buscar poder em comunidades misóginas na internet? Essa busca por pertencimento se traduz em um empoderamento ilusório, onde a manipulação de memórias e imagens amplifica medos e ansiedades.

Recentemente, o Brasil viveu um marco com a eleição de Erika Hilton, mulher trans, para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. A reação hostil de grupos que se autoproclamam feministas, porém, revela uma divisão perigosa. Butler argumenta que é desafiador dialogar com grupos transexcludentes, mas defende que a educação e a reflexão são essenciais para superarmos esses conflitos.

Construindo um Futuro Igualitário

Construir um mundo habitável, igualitário e interdependente requer solidariedades genuínas. Butler acredita que essas redes de apoio já existem, atuando tanto em pequenas comunidades quanto em movimentos transnacionais. A capacidade de imaginar um futuro melhor reside na prática e na disposição de se unir contra todas as formas de violência.

Como Butler enfatiza: não podemos ignorar as oportunidades que a esfera digital nos oferece para catalisar mudanças sociais. O uso consciente e ético desse meio pode ser a chave para fortalecer as vozes que clamam por um mundo mais justo e inclusivo.

Confira a entrevista completa no podcast e explore os principais pontos discutidos.



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