Governo Realiza Reativação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados na Bahia para Fortalecer Autossuficiência Agrícola
O governo federal anunciou a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Essa medida integra uma estratégia nacional destinada a expandir a produção de fertilizantes, visando reduzir a dependência de insumos importados e fortalecer a segurança alimentar do Brasil.
Para a reativação da planta, foram injetados R$ 100 milhões, que possibilitarão a fabricação de 1,3 mil toneladas diárias de ureia—um volume correspondente a aproximadamente 5% da demanda nacional. Essa iniciativa promete a geração de cerca de 900 postos de trabalho diretos e 2,7 mil indiretos.
Em visita à unidade na última quinta-feira (14), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou o crescimento robusto de 11,7% do agronegócio brasileiro no ano anterior. Ele sublinhou a necessidade urgente de aumentar a produção interna de fertilizantes para atender à crescente demanda do setor.
“Quando ampliamos nossa capacidade produtiva [de fertilizantes], o setor agropecuário responde positivamente, e já precisamos produzir ainda mais”, enfatizou.
Durante a visita, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também destacou a relevância do agronegócio para a economia do país. Ele defendeu o fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes, avaliando-o como indispensável para garantir a autonomia do Brasil. “Não podemos continuar importando 90% do fertilizante que nossa agricultura necessita. O Brasil precisa produzir o que sua agricultura demanda”, afirmou.
André de Paula acrescentou que a reabertura da Fafen-BA não apenas beneficia o agronegócio nacional, mas também contribui para a segurança alimentar global, uma vez que “o Brasil é o celeiro do mundo”.
Retomada da Produção Nacional de Fertilizantes
A reativação da Fafen-BA faz parte de um movimento mais amplo de resgate da produção de fertilizantes nitrogenados pela Petrobras. Em março de 2018, a estatal anunciou o fechamento das fábricas na Bahia e em Sergipe como parte de um plano de desinvestimentos. Essas unidades foram suspensas em 2019 e, um ano depois, arrendadas à empresa Unigel.
As operações da Unigel foram interrompidas em 2023 por questões de viabilidade econômica, levando a Petrobras a reavaliar sua atuação no setor. A estatal reassumiu as instalações em 2025, com a fábrica de Sergipe voltando a operar em dezembro desse ano e a unidade da Bahia em janeiro de 2026.
No Paraná, a subsidiária Araucária Nitrogenados (Ansa) teve suas atividades encerradas em 2020. Após tentativas infrutíferas de venda, a divisão permaneceu inativa até 2024, quando a Petrobras decidiu reativá-la, culminando com o retorno oficial da produção de ureia em abril de 2026.
Abastecimento e Dependência de Importações
Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, realçando a urgência de ampliar a produção nacional e diversificar os fornecedores. Com a reintegração da Fafen-BA, Fafen-SE e Ansa, a Petrobras estima que poderá atender cerca de 20% do mercado interno de ureia. A expectativa é que a futura reabertura da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, eleve esse número para cerca de 35% nos próximos anos.
O Plano Nacional de Fertilizantes
Lançado em 2022 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) visa diminuir a dependência de insumos importados, impulsionar a produção interna e assegurar a segurança alimentar do país. A meta é atender entre 45% e 50% da demanda nacional até 2050, promovendo o desenvolvimento de tecnologias adaptadas à realidade brasileira e buscando a sustentabilidade na produção.
Com essas iniciativas, o governo se posiciona para garantir a autossuficiência do Brasil na produção de fertilizantes, um passo crucial para a saúde do setor agrícola e para a segurança alimentar global.
