Ir para o conteúdo

Testes Avaliam Comportamento da Bola da Copa do Mundo de 2026 em Campo

Testes Avaliam Comportamento da Bola da Copa do Mundo de 2026 em Campo

15 de maio de 2026

Autores:

John Eric Goff, Visiting Assistant Professor, Physics, University of Puget Sound


A cada quatro anos, os apaixonados pelo futebol se preparam para um evento que vai além dos limites do campo: a Copa do Mundo. Embora as regras e as dimensões do jogo permaneçam fixas, um elemento crucial do torneio está sempre em transformação: a bola. Desde 1970, a Adidas é responsável por fornecer as esferas que fazem história, trazendo inovações que influenciam a performance dos jogadores a cada edição.

Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, nossos engenheiros, tanto no Japão quanto na Inglaterra, se dedicam a exaustivas análises da nova bola, a Trionda. Em nossos laboratórios, as bolas passam por testes rigorosos em túneis de vento, onde medimos diversos fatores como arrasto e forças de sustentação. Essas medições são vitais para simular a trajetória da bola e prever como ela poderá se comportar durante os jogos.

A Trionda é submetida a testes no túnel de vento.

Embora esses procedimentos possam parecer técnicos, a realidade é que as descobertas têm implicações significativas para jogadas decisivas: a diferença entre um gol ou um chute perdido, uma defesa segura ou um erro do goleiro. Neste maior torneio do mundo, a bola é indiscutivelmente o equipamento mais importante.

Revelada no final de 2025, a Trionda não apenas atraiu a atenção dos fãs por sua estética, mas também por suas características inovadoras. Ela apresenta um design colorido que representa os três países anfitriões: Canadá, Estados Unidos e México, e pela primeira vez na história do torneio, as partidas serão disputadas com uma bola de apenas quatro gomos.

Uma bola laranja e uma bola preta e branca estão sob um troféu.
Enquanto bolas de Copas passadas apresentavam muitos gomos, a Trionda aposta em menos.
Manfred Rehm/picture alliance via Getty Images

O desenho inédito e a redução no número de gomos chegam com um alerta: será que a Adidas não se arriscou ao deixar a bola excessivamente lisa? Esse foi um erro cometido com a Jabulani, bola utilizada na Copa de 2010, que se destacou por seus efeitos imprevisíveis e que complicaram muito a vida dos goleiros.

A evolução das bolas de futebol

As bolas da Copa do Mundo mudaram drasticamente ao longo dos anos. Na primeira edição, em 1930, as bolas eram costuradas à mão, pesadas quando molhadas e difíceis de controlar. No entanto, em 1994, com o torneio realizado nos Estados Unidos, a Adidas apresentou a Questra, uma bola feita de espuma que marcou a transição para designs mais modernos e aerodinâmicos.

Um goleiro não consegue defender durante a final da primeira Copa do Mundo.
O goleiro uruguaio Enrique Ballestrero falha em defender um chute na final de 1930.
Keystone/Getty Images

A Trionda representa o ápice dessa evolução, com suas quatro seções termoligadas, minimizando costuras. Menos gomos também implicam em uma superfície mais lisa, o que pode parecer vantajoso, uma vez que a camada de ar que envolve a bola influencia diretamente seu comportamento no ar.

No entanto, essa mudança traz à tona questões sobre como esse formato influenciará o voo da bola. Nossas análises mostram que a Trionda, em comparação com suas antecessoras, é mais rugosa e, portanto, tende a atingir seu ponto crítico de arrasto a uma velocidade menor — apenas 43 km/h —, o que pode afetar a trajetória e o alcance em chutes longos.

A bola Trionda é vista suspensa.
A Trionda em testes de aerodinâmica.
Goff/Hong/Liu/Asai

Por outro lado, o feito de gerar efeitos e passagens precisas pode ser aprimorado pelas texturas na superfície, o que nos faz questionar como a nova bola se comportará em um cenário real de jogo.

Teste de fogo à vista

A Trionda traz mais do que apenas mudanças em seu voar — ela também está equipada com tecnologia que promete impactar a arbitragem. A nova “tecnologia de bola conectada” permitirá que os árbitros tenham uma precisão ainda maior em suas decisões durante o jogo.

Essas ativações tecnológicas apresentam um desafio interessante: até que ponto as mudanças na bola ajudarão ou prejudicarão os jogadores? As evidências sugerem que o novo design não apresentará comportamentos inesperados, mas a verdadeira prova ocorrerá em campo.

Assim, a cada nova edição do torneio, a ciência e o esporte se entrelaçam, evidenciando como a física impacta a dinâmica do jogo, indo muito além da teoria, tornando-se quase uma demonstração viva da habilidade e confiança depositada em um único objeto: a bola.



Link da Fonte

Compartilhe:

Compartilhe emfacebook
Compartilhe emtwitter
Compartilhe emlinkedin

Mais lidas