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Chuvas intensas desafiam a infraestrutura dos parques alagáveis de Recife

Chuvas intensas desafiam a infraestrutura dos parques alagáveis de Recife

14 de maio de 2026

Autores:

Guilherme Silva


Chuvas Intensificam Crises em Recife: Parques Alagáveis à Prova

Nos primeiros cinco dias de maio, Recife foi inundada por 290 mm de chuva, um volume que representa 91% da média mensal esperada para o mês. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a cidade, que já estava se recuperando de tragédias passadas, novamente se viu em situação crítica, evidenciando a eficácia limitada dos Parques Alagáveis implementados pela Prefeitura, através do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Urbana (ProMorar), criado em 2022.

Para contextualizar, em 2022, Pernambuco enfrentou enchentes devastadoras que resultaram em 133 mortes, incluindo 81 apenas na Região Metropolitana do Recife. Após essa tragédia, a criação do ProMorar foi uma tentativa do município para mitigar os impactos das chuvas, por meio da promoção de áreas verdes e melhorias em drenagem.

O projeto trouxe à luz a construção de Parques Alagáveis, localizados ao longo de rios, projetados para absorver a água de cheias e, teoricamente, reduzir o número de alagamentos. Atualmente, Recife conta com dois desses parques: o Campo do Barro, inaugurado em janeiro, e o Tejipió, aberto em novembro de 2024. No entanto, especialistas apontam falhas na implementação.

Conforme destaca André Araripe, arquiteto e urbanista da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase/Pernambuco), “as construções do ProMorar não surtiram o efeito esperado nas recentes chuvas”. Ele menciona a comunidade de Jardim Uchôa no bairro Areias como um exemplo de local que continua a sofrer com alagamentos crescentes, evidenciando que o tempo de escoamento da água tem aumentado.

Além das insuficientes medidas de drenagem, a falta de transparência do ProMorar tem sido uma fonte de frustração para as comunidades afetadas. O pastor Geazi Pedro, atuante na região do Campo do Barro, enfatiza que o parque construído não fez diferença para os moradores: “A área do parque é muito pequena em relação ao volume de água”. Ele lembra que promessas de não alagamento em regiões como a Imbiribeira foram rapidamente desmentidas pelas últimas chuvas.

Negligência nas promessas de reassentamento e em obras estruturais permanentes agrava a situação. Geazi critica a falta de melhorias nas condições de vida de famílias que vivem em áreas de risco. Mesmo após anos de implementação do programa, a realocação e a dignidade dos moradores ainda carecem de atenção.

Em resposta à crítica, a Prefeitura anunciou a construção de novos empreendimentos habitacionais, embora permaneça o sentimento de desconfiança na comunidade. Araripe ressalta que a prioridade deve ser dada a obras significativas que possam realmente impactar a redução de alagamentos, ao invés de projetos que parecem ser apenas respostas para evitar conflitos.

Com o aumento das chuvas e das marés, os riscos para a população da Região Metropolitana se intensificam. A combinação de fatores climáticos, como o aumento do nível do mar, levanta preocupações sobre o futuro da cidade e a eficácia das medidas propostas.

Tanto Araripe quanto Geazi concordam: o ProMorar possui um potencial significativo, mas sua execução precisa de uma gestão mais eficaz e uma comunicação clara com as comunidades envolvidas. “Não somos contra o programa, apenas queremos que ele seja cumprido efetivamente”, finaliza o pastor.



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