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Messias Rejeitado pelo STF: Alcolumbre Afirma ‘Cumpri Meu Papel’

Messias Rejeitado pelo STF: Alcolumbre Afirma ‘Cumpri Meu Papel’

29 de abril de 2026

Autores:

Guilherme Silva


Título: O Congresso dá um golpe histórico: governo Lula sofre derrota com rejeição de indicação ao STF

Na noite desta quarta-feira (29), o plenário do Senado se transformou em um verdadeiro palco de celebração para deputados e senadores da direita e ultradireita. O motivo? A rejeição histórica do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, à vaga deixada por Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou em 42 votos contrários, 34 a favor e uma abstenção. Este é o primeiro caso de rejeição de uma indicação presidencial ao STF desde 1894.

A Agência Pública apurou que o resultado não pegou de surpresa Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, que articulou ativamente contra Messias. Em conversas informais, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), celebrou a rejeição, creditando-a diretamente à atuação de Alcolumbre. Horas antes da votação, Cavalcante teria contatado o presidente do Congresso, que respondeu de forma enigmática: "Faça a sua parte, que eu faço a minha".

Nos dias que antecederam a votação, o governo Lula mobilizou uma força-tarefa para garantir apoio no Senado, envolvendo até mesmo senadoras da base governista na tentativa de conquistar votos, principalmente entre as parlamentares mulheres. O ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro e visto como uma voz respeitada no Supremo, também trabalhou em favor da indicação de Messias.

Tensão nas fileiras governistas

Desde o início da sabatina na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a preocupação com um resultado desfavorável começou a crescer entre os senadores petistas. Para tratar da situação, uma reunião entre o líder do PT no Senado, Jaques Wagner (BA), e o presidente Lula ocorreu no Palácio do Planalto durante a sabatina.

Wagner, em declarações à imprensa, expressou sua apreensão ao mencionar que o governo esperava mais de 41 votos a favor de Messias — um número que se mostrou inalcançável.

Com a rejeição, Lula agora precisa trazer à tona um novo nome para o STF, que será submetido novamente à apreciação do Senado.

O silêncio incomodado de Alcolumbre

Desde a proposta de Lula para o STF, em novembro de 2025, Alcolumbre demonstrou claramente sua insatisfação, favorecendo a indicação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e se sentindo traído pela decisão do presidente. Embora o governo tenha tentado varrer para debaixo do tapete o clima adverso, o apoio de Alcolumbre nunca se concretizou.

Ao longo das negociações, foram prometidos cargos em autarquias para aliados de Alcolumbre, mas a relação entre eles e o governo entrou em rota de colisão, podendo acarretar exonerações e afetar pautas sensíveis a serem votadas no Congresso, como a redução da jornada de trabalho 6×1.

A hora da derrota se concretiza

Com o anúncio do resultado, o clima de consternação tomou conta, enquanto Jorge Messias pôde apenas abraçar sua esposa na sala de liderança do PT. A cena emblemática de Davi Alcolumbre levantando-se para cumprimentar Jaques Wagner após a contagem final foi um retrato do jogo de poder nos bastidores.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, declarou que a rejeição simboliza o fim do que ele chamou de "Lula 3", afirmando que o presidente perdeu legitimidade para conduzir negociações.

Já do lado governista, financeiras tentavam minimizar os impactos, com Randolfe Rodrigues (PT-AP) assegurando que a relação com o Legislativo não seria afetada, atribuindo a rejeição a um contexto político específico.

O relator da indicação, senador Weverton (PDT-MA), admitiu a derrota e sugeriu que o governo não deve apresar-se em buscar um novo nome para o STF, enquanto André Mendonça expressou sua decepção, afirmando que o Brasil perdeu a oportunidade de ter um "grande ministro" no Supremo.

Em uma perspectiva mais crítica, o filósofo Vladimir Safatle comentou para a Pública que o resultado representa uma declaração de guerra do Senado contra o Executivo e que o modelo conciliatório de Lula não é mais viável.



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