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Banco Central decide reduzir taxa de juros básicos para 14,5% ao ano

Banco Central decide reduzir taxa de juros básicos para 14,5% ao ano

29 de abril de 2026

Autores:

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil


Em meio às tensões geradas pela guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) anunciou uma nova redução na Taxa Selic, cortando os juros pela segunda vez consecutiva. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu diminuir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,5% ao ano. Essa medida já era esperada pelo mercado financeiro.

Desde junho de 2025 até março deste ano, a Selic esteve fixada em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O Copom decidiu retomar os cortes em um cenário de queda da inflação, mas as hostilidades no Oriente Médio complicam essa tarefa, especialmente com o aumento nos preços de combustíveis e alimentos.

A composição do Copom será afetada, pois os mandatos dos diretores Renato Gomes, responsável pela Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, de Política Econômica, expiraram ao final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não indicou os novos substitutos ao Congresso Nacional.

Além disso, o Banco Central informou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participará da reunião devido ao falecimento de um familiar próximo.

Na nota divulgada, o Copom não antecipou indícios sobre o futuro dos juros, mas mencionou que está atento aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e a possíveis impactos sobre a inflação.

“Atualmente, as projeções de inflação mostram um distanciamento ainda maior em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. A incerteza em torno dessas projeções aumentou significativamente devido à falta de clareza sobre a duração dos conflitos e seus efeitos nos condicionantes dos modelos de projeção”, afirmou o comunicado.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) apresentou uma aceleração para 0,89% em abril. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação subiu para 4,37%, comparada a 3,9% registrado em março.

O IPCA completo do mês de abril será divulgado em 12 de maio.

Com a implementação do novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação a ser perseguida pelo BC foi fixada em 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, os limites são 1,5% e 4,5%.

O modelo de meta contínua permite a apuração da meta mensalmente, com base na inflação acumulada nos últimos 12 meses. Isso significa que, a cada mês, a inflação é comparada com a meta, evitando a restrição ao cálculo apenas em dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no final de março, o Banco Central elevou a previsão de inflação para 2026, de 3,5% para 3,6%, embora uma nova revisão seja esperada devido ao comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição será divulgada no final de junho.

Entretanto, as expectativas do mercado se tornaram mais pessimistas. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras realizada pelo BC, a inflação oficial deve encerrar o ano em 4,86%, superando o teto da meta, que é de 4,5%. Antes das hostilidades no Oriente Médio, as previsões do mercado indicavam uma inflação de 3,95%.

Crédito mais acessível

A redução da taxa Selic tem o potencial de impulsionar a economia, uma vez que juros mais baixos facilitam o acesso ao crédito e fomentam a produção e o consumo. Contudo, taxas menores podem dificultar o controle da inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central manteve a previsão de crescimento econômico de 1,6% para 2026.

Por outro lado, o mercado projeta um crescimento ligeiramente superior. Conforme o boletim Focus, os analistas esperam uma expansão de 1,85% do PIB em 2026.

A taxa básica de juros serve como referência nas transações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e influencia as demais taxas de juros da economia. Quando o Banco Central eleva essa taxa, busca conter a demanda excessiva que pressiona preços, visto que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança.

Com a redução dos juros, o Copom facilita o acesso ao crédito, estimulando produção e consumo, mas ao mesmo tempo fragiliza o controle sobre a inflação. Para proceder com um corte na Selic, a autoridade monetária precisa ter certeza de que os preços estão sob controle e não correm risco de alta.



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