Governo brasileiro retira credenciais de agente de imigração dos EUA em resposta a expulsão de delegado da PF
O governo brasileiro decidiu retirar as credenciais diplomáticas de um agente do serviço de imigração dos Estados Unidos que trabalhava na sede da Polícia Federal (PF) em Brasília. A medida é uma resposta à decisão do governo Trump de expulsar o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que estava em missão nos EUA.
Marcelo Ivo foi um dos responsáveis pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, que fugiu do Brasil em setembro do ano passado, durante o julgamento de uma trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Ramagem, que é alvo de um pedido de extradição por parte do Brasil, foi detido nos Estados Unidos na última quinta-feira, mas foi liberado apenas dois dias depois. O governo estadunidense não revelou os motivos para a soltura.
Manifestação do Itamaraty
Nesta quarta-feira (22), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou um comunicado onde justifica a decisão como uma ação de reciprocidade. O texto destaca que a retirada das credenciais ocorreu em razão de uma "decisão sumária" contra o agente da PF, sem que houvesse qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo prévio, contrariando um memorando bilateral que visa facilitar a comunicação entre oficiais de segurança.
Apoio de Lula ao diretor da PF
O presidente Lula também se pronunciou sobre a situação, elogiando em suas redes sociais a decisão do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de suspender as atividades do agente americano no Brasil. Em seu post, Lula expressou:
“Parabéns, Andrei, pela tua posição em relação ao delegado americano, colocando em prática o princípio da reciprocidade. O que eles fizeram conosco, nós faremos com eles. Esperamos que estejam abertos a retomar o diálogo e restaurar a normalidade das relações.”
Durante uma viagem a Alemanha, na terça-feira (21), Lula já havia sinalizado que o Brasil adotaria essa postura de reciprocidade após a expulsão do delegado brasileiro.
