A taxa de analfabetismo entre a população com deficiência, na faixa etária de 15 anos ou mais, alcançou em 2022 um alarmante índice que é quatro vezes superior ao registrado entre pessoas sem deficiência. Quase três milhões de indivíduos com deficiência são analfabetos, representando cerca de 21% deste grupo. Em contraste, a taxa de analfabetismo entre pessoas sem deficiência foi de aproximadamente 5%.
Esses dados, provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram divulgados na última sexta-feira (23/5) e fazem parte de uma pesquisa mais ampla sobre pessoas com deficiência e indivíduos diagnosticados com transtorno do espectro autista, realizada com base no Censo Demográfico de 2022.
O cenário educacional revela ainda que apenas 7% das pessoas com deficiência completaram o ensino superior, comparado a 19% entre seus pares sem deficiência. Além disso, 63% das pessoas com deficiência com 25 anos ou mais não haviam concluído nem mesmo o ensino fundamental. Para o grupo sem deficiência, essa proporção é significativamente menor, atingindo cerca de 32%.
No que diz respeito ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, ou 1,2% da população, relataram ter recebido um diagnóstico de um profissional de saúde. A análise dos dados indica que a prevalência do diagnóstico é maior entre crianças, o que, segundo a analista Luciana Alves, pode estar associado ao aumento da conscientização e ao acesso facilitado a esses diagnósticos.
“Estas crianças têm uma maior incidência de diagnóstico. Se a pesquisa fosse mais direcionada às dificuldades funcionais, possivelmente as pessoas mais velhas poderiam trazer relatos. Contudo, o foco no diagnóstico acaba concentrando-se na faixa etária mais jovem, refletindo as evoluções na identificação do transtorno”, afirma.
A taxa de diagnóstico de autismo apresenta uma disparidade de gênero, alcançando 1,5% entre homens e 1% entre mulheres. Em relação à escolarização, a população com autismo registrou uma taxa de 37%, superior à média geral, que foi de 24%.
No total, em 2022, mais de 14 milhões de pessoas no Brasil foram identificadas como tendo alguma deficiência, sendo mais de oito milhões mulheres e seis milhões homens. Esses números correspondem a quase 7% da população total registrada, que era de 203 milhões.
Adicionalmente, 16% dos lares brasileiros recenseados em 2022 abrigavam ao menos um morador com deficiência, com a dificuldade visual sendo a condição mais prevalente, afetando cerca de oito milhões de pessoas.
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