Três trabalhadoras do cuidado, Yenny Hurtado, Ana Gilda Soares e Cleide Pinto, compartilharam suas experiências e desafios na luta pelos direitos da categoria durante a sessão de abertura do “Colóquio Internacional Cuidado, Direitos e Desigualdades”, realizado na Universidade de São Paulo (USP) entre os dias 14 e 16 de abril. Este evento, realizado na Casa de Cultura Japonesa do campus Butantã, marcou a culminância do projeto de pesquisa “Who Cares? Rebuilding care in a post-pandemic World”, uma iniciativa que explora o direito ao cuidado e os impactos da pandemia sobre essas trabalhadoras.
Na abertura do colóquio, Cleide Pinto, presidente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Nova Iguaçu (RJ) e secretária-geral da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Trabalhadoras Domésticas (Conlactraho), ressaltou a importância da presença das lideranças femininas em questões que afetam suas vidas. “Nada para nós sem nós. Esse espaço é crucial na luta pela equiparação de direitos”, afirmou.
As participantes discutiram questões relacionadas à luta por direitos das trabalhadoras de cuidado no cenário pós-pandemia, a precarização do setor após a reforma trabalhista e o desenvolvimento da Política Nacional de Cuidados, aprovada no governo Lula em 2023.
Nadya Araújo Guimarães, professora da USP e coordenadora do projeto “Who Cares?”, destacou que a presença dessas lideranças enriquece o debate e aproxima a Universidade das realidades enfrentadas por essas mulheres. “Elas estão conosco desde o início do projeto, contribuindo ativamente”, enfatizou.
A vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, deu as boas-vindas aos participantes e sublinhou a relevância do evento ao abordar uma temática de tamanha importância social. A secretária nacional da Política de Cuidados e Família, Laís Abramo, destacou a rápida elaboração da Política Nacional de Cuidados, com a intenção de integrar políticas públicas e combater a precarização no setor.
Durante a sessão, houve um momento de homenagem a Luiza Batista, uma importante militante dos direitos das trabalhadoras domésticas, falecida recentemente. A pesquisadora Louisa Acciari mediou as discussões, apresentando as convidadas e suas respectivas trajetórias.
Yenny Hurtado, trabalhadora e educadora popular da Colômbia, apontou o agravamento da situação das trabalhadoras de seu país, com uma diminuída demanda por serviços domésticos após a pandemia e a perda de benefícios conquistados. Em sua fala, ressaltou a precariedade salarial e a falta de proteção estatal às cuidadoras, enfatizando a dificuldade enfrentada por trabalhadoras migrantes, que carecem de estudos e suporte adequados.
Ana Gilda Soares, assistente social e co-fundadora da Associação dos Cuidadores da Pessoa Idosa, destacou a histórica exclusão das cuidadoras do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (Suas), frisando que muitas dessas profissionais são mulheres negras da periferia, cujas lutas são ainda mais invisibilizadas.
Cleide Pinto, encerrando a mesa, trouxe à tona as dificuldades e os desafios que a categoria continua a enfrentar, ressaltando os avanços e os entraves que marcaram sua caminhada, inclusive a necessidade de respaldo jurídico para lidar com casos em que empregadores tentam sonegar direitos trabalhistas.
Após três dias de discussões, o colóquio se consolidou como um espaço vital para a troca de experiências e propostas em prol do fortalecimento dos direitos das trabalhadoras do cuidado, destacando a necessidade urgente de uma política mais justa e inclusiva.
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