Ir para o conteúdo

Após a Tempestade: A Realidade Complexa que Segue os Momentos de Crise – Jornal da USP

Após a Tempestade: A Realidade Complexa que Segue os Momentos de Crise – Jornal da USP

7 de abril de 2025

Autores:

Redação



Na sua coluna de hoje, o professor Paulo Saldiva aborda um tema que se torna cada vez mais urgente: as inundações nos grandes centros urbanos e suas consequências prolongadas para a saúde, tanto física quanto mental.

O colunista destaca que as enchentes, que afetam tanto as periferias quanto os centros das cidades, atingem níveis alarmantes devido ao deslocamento dos períodos chuvosos em direção às áreas urbanas. Essas situações geram não apenas danos materiais e perda de vidas, mas também um impacto significativo na saúde da população.

Saldiva explica que, entre as primeiras consequências das inundações, estão as doenças infecciosas, frequentemente causadas pela exposição a água contaminada. O contato com essas águas, seja ao tentar resgatar bens ou ao se deslocar pelos entulhos das próprias casas, expõe as pessoas a um risco elevado de contrair doenças, como diarreia, provocada por bactérias e vírus. Após duas a três semanas, surge uma segunda onda de doenças, com a leptospirose tornando-se uma preocupação real. Essa infecção, oriunda da urina de ratos urbanos, pode resultar em danos musculares e hepáticos, com taxa de mortalidade considerável se não tratada cedo.

Além disso, Saldiva alerta para o aumento da proliferação de mosquitos vetores de doenças, especialmente arboviroses, como a dengue. Contudo, o impacto psicológico das enchentes pode ser ainda mais complexo. O estresse oriundo da perda de bens materiais e o deslocamento forçado para abrigos gera um impacto emocional profundo, que muitas vezes se traduz em ansiedade, depressão e outras doenças mentais. “Perder tudo que se acumulou ao longo da vida é uma experiência devastadora, especialmente para aqueles com menos recursos, que podem perder não apenas suas casas, mas também o que há de mais elementar para o seu dia a dia”, explica o professor.

Ele enfatiza que os efeitos na saúde mental e física podem se estender por seis a sete meses após as chuvas. Portanto, é essencial que as autoridades não apenas foquem na reabilitação das áreas afetadas, mas também implementem projetos que aumentem a resiliência urbana, indo além de soluções pontuais e buscando um planejamento sustentável e eficaz.

A coluna “Saúde e Meio Ambiente” é veiculada todas as segundas-feiras, às 8h, na Rádio USP e também está disponível no Youtube, convidando os ouvintes a refletirem sobre a interconexão entre ambientes urbanos e saúde da população.



Link da Fonte

Compartilhe:

Compartilhe emfacebook
Compartilhe emtwitter
Compartilhe emlinkedin

Mais lidas