Ir para o conteúdo

Graduanda da Faculdade de Educação, Lígia Maria Salgado Nóbrega é homenageada com diploma honorífico pela USP

  • Página Inicial
  • |
  • Atualidades
  • |
  • Graduanda da Faculdade de Educação, Lígia Maria Salgado Nóbrega é homenageada com diploma honorífico pela USP

Graduanda da Faculdade de Educação, Lígia Maria Salgado Nóbrega é homenageada com diploma honorífico pela USP

4 de abril de 2025

Autores:

Redação



Na última quinta-feira, 3 de abril, a Faculdade de Educação (FE) da Universidade de São Paulo homenageou a memória de Lígia Maria Salgado Nóbrega, concedendo-lhe um diploma honorífico post-mortem. A cerimônia integra o projeto Diplomação da Resistência, uma iniciativa da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e da Pró-Reitoria de Graduação, que visa reconhecer a trajetória de 31 estudantes da instituição que foram falecidos durante o período de repressão da ditadura militar brasileira. O projeto busca reparar injustiças históricas e preservar a memória desses ex-alunos, ressaltando a relevância de seus legados.

Lígia, nascida em 30 de junho de 1947, na capital potiguar Natal (RN), iniciou seus estudos em Pedagogia na USP em 1967. Conhecida por sua visão inovadora e capacidade intelectual, ela se destacava nos debates educacionais. A jovem militante integrou o Grêmio Estudantil e, mais tarde, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), envolvendo-se ativamente na luta contra o regime militar, o que a levou a viver na clandestinidade e a se mudar para o Rio de Janeiro.

Em relação a um episódio traumático que marcou sua família, Lígia emprestou seu carro a um colega que foi detido com documentos em seu nome. Como resultado, a polícia invadiu a casa da família, conforme relata seu irmão, Olímpio Salgado Nóbrega, que estava presente na cerimônia de homenagem: “Lembro-me do dia em que a polícia entrou com tudo, levou todos os presentes e esperou por ela. Meu pai foi violentamente agredido, e ela só teve contato conosco duas vezes após esse evento.”

Lígia foi uma das vítimas da Chacina do Quintino, ocorrida em 1972, durante um cerco policial na casa 72, no bairro de Quintino, onde estava grávida de James Allen da Luz, um dos líderes da VAR-Palmares. Embora o relatório oficial tenha alegado que houve troca de tiros, investigações pela Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro revelaram a ausência de pólvora nas mãos das vítimas. Testemunhas afirmaram que os estudantes se entregaram sem resistência. O corpo de Lígia foi identificado por seu irmão Francisco, que constatou escoriações e marcas de bala.

A família de Lígia tomou conhecimento da sua morte por meio de uma reportagem televisiva. Sua irmã, Maria de Lourdes, compartilhou a dor da perda: “Somente conseguimos recuperar seu corpo para um enterro digno com o apoio de um tio advogado. Meu irmão, Francisco, que era médico, teve que fazer a autópsia para liberar o corpo. Meu pai faleceu menos de um ano depois, minha mãe entrou em profunda depressão, e minha irmã caçula decidiu morar fora do país.”

Este ato de diplomação não é apenas um reconhecimento formal, mas um importante passo na luta por justiça e memória para aqueles que, como Lígia, pagaram um preço alto em defesa da liberdade.



Link da Fonte

Compartilhe:

Compartilhe emfacebook
Compartilhe emtwitter
Compartilhe emlinkedin

Mais lidas